BRASIL – Empresário protegido por habeas corpus se recusa a responder questionamentos em sessão da CPMI sobre atos golpistas.

Durante uma sessão da Comissão Parlamentar de Mista de Inquérito (CPMI) sobre os atos golpistas ocorridos em 8 de janeiro, o empresário do agronegócio Argino Bedin, conhecido como Pai da Soja em Mato Grosso, optou por não responder às perguntas dos parlamentares. Bedin estava amparado por um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que lhe garantiu o direito de não se incriminar.

O empresário foi convocado pela CPMI por estar na lista de suspeitos de financiar os referidos atos golpistas, que surgiram após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em outubro de 2022. Grupos bloquearam rodovias e acamparam em frente a quartéis em todo o país, exigindo um golpe militar.

Segundo informações presentes no requerimento aprovado na CPMI, Argino Bedin é um latifundiário e sócio de pelo menos nove empresas, tendo suas contas bloqueadas por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Durante a sessão da CPMI, a relatora Eliziane Gama, senadora do PSD-MA, destacou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alertou o comitê sobre o envio de 272 caminhões para Brasília logo após a eleição, sendo 72 deles provenientes da cidade de Sorriso, no Mato Grosso, onde estão localizadas as fazendas de propriedade do empresário. Dessas, 16 caminhões pertenciam a Bedin ou membros de sua família.

Eliziane também mencionou atos violentos ocorridos em Sorriso ou nas proximidades das fazendas do empresário, todas localizadas na BR-163. Dentre esses atos, destacam-se a tentativa de explosão da BR-174 em Comodoro, em Mato Grosso, no dia 19 de novembro, e o ataque à base de uma concessionária na cidade de Lucas do Rio Verde, também em novembro.

A senadora relatou ainda que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul (Aprasoja) tem ligações com o Movimento Brasil Verde e Amarelo, grupo responsável por convocar manifestações contrárias às eleições no Brasil. Eliziane questionou se Bedin teria financiado essas manifestações.

Diante das acusações, representantes da oposição defenderam o empresário durante a sessão. O deputado Delegado Ramagem, do PL-RJ, elogiou a trajetória de Bedin no agronegócio, afirmando que o empresário deveria ser celebrado por sua contribuição para o setor e não responsabilizado pelos atos de vandalismo ocorridos durante as manifestações. Já o deputado Filipe Barros, do mesmo partido e representante de Santa Catarina, prestou solidariedade a Argino Bedin, argumentando que um empresário exemplar como ele não poderia ser responsabilizado pelos acontecimentos do dia 8 de janeiro.

O empresário permanece protegido pelo habeas corpus concedido pelo STF, e a CPMI continua investigando os financiadores dos atos golpistas.