BRASIL – Clínica de reabilitação sem alvará é investigada após segunda morte em São Paulo.

A cidade de Embu-Guaçu, localizada na região metropolitana de São Paulo, está abalada com as revelações sobre a clínica de reabilitação Kairos Prime. Recentemente, a prefeitura divulgou documentos que apontam que a clínica estava funcionando sem alvará de funcionamento, o que indica que o estabelecimento operava em condições irregulares. Esse fato veio à tona após a morte do interno de 39 anos, ocorrida no dia 25 de setembro, e a prisão de cinco funcionários da clínica.

Diante dessa situação, a prefeitura, juntamente com profissionais da Assistência Social, Vigilância Sanitária, Guarda Municipal e o Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas (Comad), iniciou uma força-tarefa para investigar outras clínicas de reabilitação na cidade. O objetivo é reforçar a fiscalização dessas instituições que operam à margem da lei e evitar que casos semelhantes se repitam.

Essa não é a primeira vez que a clínica Kairos Prime está envolvida em casos de morte. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), outro homem de 27 anos foi encontrado morto na mesma instituição, em março deste ano, também com sinais de violência no pescoço. Na ocasião, três funcionários foram presos em flagrante. Surpreendentemente, a prefeitura só tomou conhecimento dessa morte em 26 de setembro, através de um ofício da Polícia Civil.

Em resposta a esses fatos, o setor de Vigilância Sanitária de Embu-Guaçu informou que a clínica Kairos Prime nunca solicitou autorização para funcionamento e que uma diligência no local estava prevista para o início de outubro. Essa falta de fiscalização prévia levanta questionamentos sobre a responsabilidade dos órgãos públicos em garantir a segurança e o funcionamento legal dessas instituições.

Além disso, o dono da clínica, Ueder Santos de Melo, está sendo investigado por essas duas mortes. No entanto, outras unidades da Grande São Paulo, em que ele é sócio, também registram casos de violência. Nas duas unidades de Juquitiba, por exemplo, foram relatados um caso de lesão corporal e um de tortura, além de duas mortes por causas naturais.

Diante de toda essa situação, a Polícia Civil afirmou que está empenhada em esclarecer todas as circunstâncias dessas ocorrências e punir os envolvidos. Já foram efetuadas a prisão de oito funcionários até o momento. É fundamental que medidas sejam tomadas para garantir a segurança e a regularidade das clínicas de reabilitação, evitando que tragédias como essas ocorram novamente.