
BRASIL – “Volume de crédito bancário terá crescimento de 7,3% em 2023, prevê Banco Central”
Essa nova projeção leva em consideração os dados atualizados do mercado de crédito, assim como a revisão das perspectivas macroeconômicas futuras. Essas informações foram apresentadas no Relatório de Inflação, uma publicação trimestral divulgada pelo BC nesta quinta-feira (28).
A revisão para baixo nessa projeção se deu principalmente em decorrência do desempenho abaixo do esperado no mercado de crédito para pessoas jurídicas com recursos livres. Nesse segmento, a previsão de crescimento foi reduzida de 3% para 1,5%, devido ao desaceleramento maior do que o esperado no saldo do crédito.
No entanto, a previsão de crescimento do estoque de crédito livre para pessoas físicas foi mantida em 9%, o que reflete a resiliência observada nas concessões até julho de 2023, juntamente com as perspectivas atualizadas para a atividade econômica.
Em relação ao crédito direcionado, que é aquele com regras definidas pelo governo e destinado aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito, a projeção de crescimento do saldo para pessoas físicas foi mantida em 11%. Isso se deve ao equilíbrio entre a desaceleração no saldo imobiliário e o aumento no tamanho do Plano Safra para 2023/2024.
No crédito direcionado para pessoas jurídicas, a projeção de crescimento do saldo permanece em 7%.
Essas projeções são reflexo das políticas monetárias que vêm sendo adotadas pelo BC. Na última semana, por exemplo, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa Selic de 13,25% para 12,75% ao ano. Essa redução ocorreu pelo segundo semestre consecutivo e indica um ciclo de cortes que deverá continuar nas próximas reuniões.
O BC tem como objetivo fazer com que a inflação se aproxime da meta estabelecida para os anos de 2024 e 2025. Atualmente, a taxa de inflação medida pelo IPCA acumula uma taxa de 3,23% no ano e uma inflação acumulada de 4,61% nos últimos 12 meses.
Para 2024, o BC projeta um crescimento do crédito de 8,5%. A autarquia acredita em uma evolução do crédito com recursos livres, principalmente influenciada pela trajetória esperada de queda dos juros. O crescimento do saldo do crédito deverá ser superior ao observado em 2023, tanto em termos nominais quanto reais.
Espera-se que o segmento de crédito livre para pessoas jurídicas seja impulsionado pela dissipação dos impactos dos eventos envolvendo grandes empresas. Já o crédito para pessoas físicas deverá apresentar uma desaceleração, tanto nas operações com recursos livres quanto nas operações com recursos direcionados. Isso se deve aos altos níveis de endividamento e comprometimento de renda, além do menor crescimento da renda das famílias.
Essas perspectivas indicam um crescimento real mais robusto do saldo de crédito no próximo ano, impulsionado pelo aumento nominal do crédito e pela desaceleração da inflação. O Banco Central continuará monitorando o mercado de crédito e adotando as medidas necessárias para promover um crescimento sustentável da economia.









