
BRASIL – CPIs da Câmara dos Deputados encerram sem votação de relatórios finais e indiciamento de responsáveis.
A CPI que investigou o MST encerrou seu prazo de funcionamento sem a votação do relatório final. A discussão e votação do parecer do deputado Ricardo Salles (PL-SP) estava prevista para essa terça-feira (26), mas foi adiada devido a um pedido de vista. Um pedido de prorrogação da comissão foi encaminhado ao presidente da Câmara, Arthur Lira. Na semana passada, Salles apresentou o relatório e pediu o indiciamento de 11 pessoas, incluindo o ex-ministro do GSI Gonçalves Dias, o líder da Frente de Luta Campo e Cidade José Rainha e o presidente do Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas Jaime Messias Silva.
O relator acusou o movimento de práticas de abusos contra assentados, privilégios de dirigentes e apropriação de recursos públicos. Salles afirmou que não há necessidade de ampliar a destinação de áreas para reforma agrária no momento, citando a ocorrência de crimes graves contra produtores rurais e integrantes de movimentos de luta pela terra.
A CPI do Grupo Americanas também concluiu suas investigações. Apesar da aprovação do relatório final por 18 votos a 8, nenhum responsável pelo rombo de R$ 20 bilhões na empresa foi apontado. Alguns membros da comissão afirmaram que houve uma tentativa de “blindar” os principais acionistas da empresa, Carlos Alberto da Veiga Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Hermann Telles, que não foram ouvidos pela comissão. O relator, deputado Carlos Chiodini (MDB-SC), justificou que não existem elementos suficientes para indiciamentos e sugeriu a criação de leis para combater crimes empresariais e melhorar a fiscalização do mercado de capitais.
Por fim, a CPI da Manipulação de Resultados de partidas de futebol também encerrou sem votar o relatório final. Quatro deputados pediram vista do parecer, impedindo a votação. Eles discordaram das conclusões do relator Felipe Carreras (PSB-PE) e do andamento das investigações, alegando que empresas de apostas, conhecidas como “bets”, não foram responsabilizadas. Carreras afirmou que o Ministério Público e a Polícia Federal não identificaram indícios suficientes para incriminar essas empresas. O relator pretende levar adiante os projetos de lei propostos no relatório, visando combater a manipulação de resultados no futebol brasileiro.
Em resumo, as CPIs encerraram suas investigações sem votar os relatórios finais ou indiciar responsáveis. As comissões trouxeram à tona questões relacionadas à atuação do MST, inconsistências contábeis no Grupo Americanas e manipulação de resultados no futebol. Porém, nenhuma conclusão definitiva foi alcançada, levando a debates sobre a necessidade de leis mais rigorosas e melhor fiscalização em áreas como a reforma agrária, o mercado empresarial e o esporte.









