BRASIL – Presidente do BNDES defende parcerias com iniciativa privada para fomentar indústria de defesa. Sugere criação de empresa pública para atrair investimentos.

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, destacou a importância de parcerias com a iniciativa privada para impulsionar a indústria nacional de defesa. Durante o seminário 4ª Revolução Industrial: Desafios para Defesa, Segurança e Desenvolvimento Nacional, realizado no Rio de Janeiro, Mercadante também sugeriu a criação de uma empresa pública para atrair investimentos ao complexo industrial de defesa brasileiro.

De acordo com Mercadante, o complexo indústria de defesa é uma das diretrizes da nova política industrial do governo. O presidente do BNDES ressaltou a necessidade de se aproximar do setor privado, citando as vantagens que países como Estados Unidos e Europa têm em fomentar suas indústrias locais.

Ele ressaltou que, em um cenário fiscal desafiador, é preciso rever a relação Estado e mercado e buscar maior interação entre a iniciativa privada e o Estado, principalmente na indústria da defesa. Mercadante enfatizou que a política externa brasileira se apoia na política de defesa, sendo fundamental para o país buscar cooperação e complementariedade com outras nações.

O presidente do BNDES destacou que a indústria de defesa tem um papel importante no desenvolvimento econômico do país e na promoção de avanços tecnológicos. Ele destacou que produtos como GPS, computadores e internet não existiriam sem a indústria de defesa. Além disso, ressaltou que o setor gera empregos e mão de obra qualificada.

Mercadante também sugeriu a criação de uma ou três empresas nacionais estratégicas de defesa, vinculadas diretamente ao Ministério da Defesa, como uma holding. Segundo ele, essa medida aumentaria a agilidade e eficiência da indústria, além de melhorar a articulação do poder de compra e atrair mais investimentos.

Durante o evento, Mercadante anunciou dados sobre o financiamento de aviões da Embraer. Ao todo, estão sendo fechados contratos de financiamento no valor de US$ 778 milhões (equivalente a R$ 3,8 bilhões) pelo BNDES. O presidente do banco público destacou que ao longo da história, foram financiadas pelo BNDES 1.287 aeronaves exportadas.

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, ressaltou a importância do investimento público no setor de defesa. Ele destacou que a base industrial de defesa emprega 2,9 milhões de pessoas e que o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê investimentos de R$ 53 bilhões até 2026.

O BNDES tem sido um importante indutor do desenvolvimento do setor de defesa no país. Múcio ressaltou que os investimentos na indústria de defesa promovem a segurança e garantem a soberania do país, além de ampliar a capacidade dissuasória e gerar garantias para o Brasil em fóruns multinacionais.

O seminário no BNDES discute políticas públicas relacionadas à defesa, segurança e desenvolvimento nacional. Os debates contam com a participação de especialistas, autoridades e representantes de instituições como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Academia Brasileira de Ciências (ABC), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Petrobras.

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), Marcos Antonio Amaro dos Santos, anunciou que o governo apresentará nos próximos dias a Política Nacional de Segurança Cibernética e o projeto de lei para a criação da Agência Nacional de Segurança Cibernética. A medida busca fortalecer a segurança virtual do país.