REVELAÇÃO: CPI da Braskem pode revelar ‘acordos nebulosos’ feito por Alfredo Gaspar e JHC

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o papel da mineradora Braskem em desastres ambientais em Maceió pode trazer à tona um “acordo nebuloso” entre o deputado federal Alfredo Gaspar e o atual prefeito da cidade, JHC. Gaspar, que anteriormente atuou como procurador-geral de Justiça de Alagoas, esteve envolvido no acordo firmado entre a Procuradoria e a Braskem, acordo este que, segundo vítimas, beneficiou a empresa em detrimento da população local.

Em uma entrevista concedida na segunda-feira (18), o senador Renan Calheiros (MDB) discutiu aspectos da CPI da Braskem, empresa que opera em Maceió há quase meio século e é acusada de provocar afundamentos em cinco bairros da cidade. O incidente resultou no deslocamento forçado de aproximadamente 55 mil residentes. Renan, que classificou o desastre como “o maior crime ambiental do mundo”, ressaltou a importância da CPI na busca por justiça para as vítimas e na avaliação da possibilidade de relocação da planta industrial. Para o senador, a existência contínua da Braskem no local “é um monumento à impunidade”.

Calheiros também destacou o papel crucial da CPI

“É fundamental para um acompanhamento detalhado dos fatos e garantir que a Braskem cumpra seu dever antes de qualquer venda”.
Além da entrevista, o senador se encontrou com o governador Paulo Dantas (MDB) para debater a instauração de um grupo voltado para monitorar e orientar todas as medidas associadas à Braskem. Este grupo será composto por três secretários de Estado, um prefeito representando os municípios e um representante das vítimas dos bairros afetados.

CPI deve dimensionar estragos em bairros próximos à tragédia

“Até hoje, a Braskem não assumiu a responsabilidade em relação ao cumprimento dos direitos individuais e coletivos do Estado, das prefeituras. Recentemente fez um acordo com a Prefeitura de Maceió, mas não uniformizou e não fez um calendário para reparar o dano socioambiental, que, no Brasil, é uma responsabilidade integral, ou seja, tem que ser feita plenamente e não pela metade”, destacou.
O senador afirmou que a CPI precisa aferir quais os efeitos para os bairros com afundamento do solo e para o entorno (a exemplo da área dos Flexais). Ele acredita que se trata de um crime ambiental de grande magnitude, sendo necessária a intervenção do Congresso Nacional por se tratar de um fato relevante ao Brasil.