BRASIL – Mandante da Chacina de Unaí se entrega à Polícia Federal, irmão é considerado foragido

O fazendeiro Antério Mânica, condenado como mandante da Chacina de Unaí, ocorrida em 2004, se entregou à Polícia Federal em Brasília neste sábado (16). Antério, que foi prefeito da cidade de Unaí de 2007 a 2012, entregou-se após o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), em Belo Horizonte, determinar a prisão imediata dos irmãos Mânica e de outros dois condenados pelo crime.

A Chacina de Unaí chocou o país em 2004, quando quatro auditores fiscais do trabalho foram assassinados a tiros em uma emboscada na zona rural de Unaí, Minas Gerais. Os auditores Erastóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares, Nelson José da Silva e o motorista Ailton Pereira de Oliveira estavam investigando denúncias de trabalho análogo à escravidão quando foram mortos.

Os irmãos Mânica são acusados de serem mandantes do crime, tendo contratado pistoleiros para executar os auditores fiscais. Eles foram condenados a 100 anos de prisão, mas recorreram em liberdade por serem réus primários. Em maio do ano passado, Antério foi novamente julgado e condenado a 64 anos de prisão, após seu irmão Norberto confessar ser o único mandante.

O pedido de prisão imediata dos mandantes da chacina foi feito pelo Ministério Público Federal, que argumentou que os irmãos Mânica poderiam usar seu poder político e econômico para atrapalhar o processo. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já havia autorizado a prisão dos três condenados, incluindo Norberto Mânica e Hugo Alves Pimenta, que atualmente estão foragidos.

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) emitiu uma nota após a prisão de Antério Mânica, destacando que a luta dos familiares das vítimas e do sindicato ao longo dos últimos quase 20 anos finalmente teve um desfecho. O sindicato ressaltou que os envolvidos são pessoas de alto poder econômico, com os melhores advogados de defesa, o que tornou o desfecho do caso ainda mais significativo.

Atualmente, apenas os três pistoleiros envolvidos na chacina, Erinaldo Vasconcelos, Rogério Allan e William Miranda, cumprem pena pelo crime. Eles foram condenados em 2013 e estão presos desde 2004.

As famílias das vítimas e o sindicato esperam que a prisão dos mandantes do crime traga um sentimento de justiça e encerramento para o caso. A Chacina de Unaí foi um marco na luta contra o trabalho escravo no país, e a punição dos responsáveis é considerada fundamental para a garantia dos direitos trabalhistas e da segurança dos auditores fiscais.