BRASIL – Aumento de casos de SRAG associados à covid-19 preocupa estados do Sudeste e Centro-Oeste, revela boletim InfoGripe da Fiocruz.

Segundo o último boletim InfoGripe divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), alguns estados das regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil estão apresentando um aumento nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) associados à covid-19. O estado do Rio de Janeiro é onde esse aumento é mais significativo, porém também é observado um leve crescimento da SRAG por covid-19 no Espírito Santo, em Goiás e em São Paulo. Vale ressaltar que esse aumento é mais evidente na população adulta.

O coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes, destaca que apesar do ritmo de crescimento não ser alarmante, é importante chamar a atenção para a necessidade de testagem e para a importância da vacinação em dia, de acordo com cada faixa etária. Gomes ressalta que a vacina e a recomendação de doses de reforço são fundamentais para diminuir o impacto do atual ciclo de crescimento da covid-19. Ele alerta que aqueles que não estão com a vacinação em dia devem procurar o posto de saúde mais próximo, pois o risco de desenvolver casos graves é muito menor com a vacina.

O pesquisador também orienta que pessoas que apresentem sintomas gripais ou resfriados, como dificuldades respiratórias, tosse, espirros e desconfortos no corpo, devem procurar um posto de saúde ou o médico da família para realizar o teste para covid-19. Além disso, é aconselhável repouso, isolamento e evitar sair de casa, medidas essenciais não apenas para a recuperação, mas também para diminuir a circulação de vírus respiratórios na população. É recomendado o uso de máscara de proteção caso seja necessário sair de casa.

A nível nacional, o InfoGripe aponta uma queda nos novos casos de SRAG nas últimas seis semanas, tanto nas tendências de longo prazo quanto nas de curto prazo. Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, foi observada uma prevalência de 2,9% para influenza A, 0,9% para influenza B, 13,3% para vírus sincicial respiratório (VSR) e 35,6% para Sars-CoV-2 (covid-19) entre os casos de SRAG com resultado positivo para vírus respiratórios. Em relação aos óbitos, a presença desses vírus entre os casos positivos foi de 2,7% para influenza A, 0,0% para influenza B, 2,7% para VSR e 78,7% para Sars-CoV-2 (covid-19).

O boletim também aponta que sete estados apresentam sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo: Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Rio de Janeiro, Roraima e Sergipe. Em alguns desses estados, o crescimento está concentrado nas faixas etárias de 5 a 14 anos de idade, enquanto em outros o aumento ocorre em crianças até 4 anos ou na população adulta.

Quanto às capitais, oito apresentam sinal de crescimento: Aracaju, Boa Vista, Fortaleza, Macapá, Maceió, Palmas, Rio de Janeiro e Salvador. Em algumas dessas capitais, como Aracaju, Boa Vista, Fortaleza, Macapá e Salvador, o aumento é mais evidente nas crianças e pré-adolescentes. Já no Rio de Janeiro, observa-se um crescimento em todas as faixas etárias da população adulta.

Em relação aos óbitos notificados por SRAG, já foram registrados 8.057 neste ano, sendo que 51,2% tiveram resultado positivo para algum vírus respiratório, 41,6% foram negativos e cerca de 2,1% estão aguardando resultado laboratorial. Entre os casos positivos deste ano, 11,4% são influenza A, 5,7% são influenza B, 8,0% são VSR e 69,6% são Sars-CoV-2 (covid-19).

Em resumo, é importante que a população esteja atenta ao aumento dos casos de SRAG por covid-19 em algumas regiões do Brasil, principalmente no Rio de Janeiro. A vacinação e a testagem são medidas fundamentais para controlar o crescimento da doença. Além disso, é essencial que as pessoas com sintomas gripais busquem atendimento médico, façam o isolamento e sigam as recomendações de higiene e uso de máscara. A tendência nacional é de queda nos novos casos de SRAG, porém é necessário manter as medidas de prevenção para evitar uma nova onda da doença.