BRASIL – Arqueóloga carioca Tania Andrade Lima recebe prêmio Hypatia por descoberta do Cais do Valongo.

A arqueóloga carioca Tania Andrade Lima foi premiada com o prestigioso Prêmio Hypatia, concedido pela Confederação dos Centros Internacionais para a Conservação do Patrimônio Arquitetônico. A premiação é destinada aos profissionais que contribuem para o conhecimento científico em suas áreas de atuação. Tania é a segunda mulher brasileira a receber esse prêmio, após a arqueóloga Niède Guidon, que foi homenageada em 2020.

O prêmio foi concedido a Tania por sua descoberta do Cais do Valongo, localizado na região portuária do Rio de Janeiro. O Cais do Valongo foi um ponto de entrada de mais de um milhão de escravizados trazidos da África. Essa descoberta é de extrema importância para a compreensão da história da escravidão no Brasil.

O diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, expressou sua satisfação com o reconhecimento dado a Tania. Ele ressaltou a importância de ter uma cientista do calibre dela no museu e afirmou que o prêmio é um grande orgulho para a instituição.

Além disso, Kellner destacou a relevância do prêmio ter sido concedido a uma mulher. Ele enfatizou que esse reconhecimento reflete as condições de qualidade e gênero oferecidas pela instituição. O reconhecimento de Tania Andrade Lima, assim como o de Niède Guidon, evidencia o papel fundamental das mulheres na pesquisa arqueológica.

Tania Andrade Lima é pesquisadora sênior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e professora aposentada do Departamento de Antropologia do Museu Nacional da UFRJ. Ela também é fundadora do Programa de Pós-Graduação em Arqueologia da universidade.

A pesquisadora dedicou sua carreira à arqueologia e recebeu outros prêmios importantes, como a Comenda da Ordem do Mérito Cultural e o Prêmio Globo Faz Diferença. Ela também é reconhecida por seu trabalho na preservação do Patrimônio Cultural da Humanidade no Brasil.

Tania Andrade Lima destacou a importância da arqueologia em trazer à tona verdades indesejáveis e dolorosas que muitos tentam ignorar. Ela ressaltou que o Cais do Valongo é um testemunho do ódio e desprezo que as pessoas são capazes de demonstrar àqueles que são diferentes delas. A pesquisadora afirmou que o reconhecimento desse sítio arqueológico é uma demonstração poderosa de rejeição ao preconceito racial e um passo importante na luta contra o racismo.

Além de Tania Andrade Lima, o padre Júlio Lancellotti também foi premiado com o Prêmio Hypatia neste ano. Ele foi reconhecido por sua luta contra a arquitetura hostil que impede moradores de rua de se abrigarem em espaços públicos. O Prêmio Hypatia será entregue em outubro deste ano, na abertura da 6ª Bienal de Restauro Arquitetônico e Urbano, em Florença, Itália.

O Cais do Valongo foi reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco em 2017 e desde 2023 é coordenado pelo Comitê Gestor do Sítio Arqueológico do Cais do Valongo, responsável pela preservação e salvaguarda do local.

A descoberta do Cais do Valongo é um marco importante na luta pela preservação e valorização da cultura afro-brasileira. Ela nos lembra da cruel história da escravidão e nos desafia a combater o racismo em todas as suas formas. Tania Andrade Lima, juntamente com Niède Guidon, é uma referência na arqueologia brasileira e um exemplo de dedicação e excelência na pesquisa científica.