
BRASIL – 29° Grito dos Excluídos e Excluídas acontece em São Paulo com demandas sociais e críticas ao governo Bolsonaro
Na primeira hora do evento, uma liderança presente mencionou, durante seu discurso, que o protesto deixou de acontecer nos últimos dois anos. O motivo apontado foi a violência e a intimidação, sugerindo que o clima de hostilidade contra os movimentos populares foi estimulado pelo governo de Jair Bolsonaro.
Outra liderança, uma mulher, afirmou que agentes de segurança pública tentaram impedir a realização do ato. A reportagem da Agência Brasil questionou a Secretaria da Segurança Pública sobre essa informação, mas ainda não obteve resposta. Durante a concentração, cerca de 30 agentes fazem o policiamento do local.
Com carros de som e bandeiras, os manifestantes aproveitam a ocasião para defender o nome de Guilherme Boulos para a prefeitura de São Paulo nas eleições de 2024.
Ivanete Araújo, coordenadora do Movimento de Moradia na Luta por Justiça (MMLJ), destaca que a pandemia de covid-19 evidenciou a vulnerabilidade da parcela da população à qual pertence, mas também fortaleceu a articulação dos movimentos sociais. Ela argumenta que é importante fazer um balanço diferente, ressaltando que nesta data deveriam estar comemorando conquistas, como casas para todos, emprego, creche e o fim da criminalização das lutas por moradia.
Durante o protesto, os manifestantes também denunciam o genocídio negro e pedem a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, reivindicam o fim das privatizações no estado de São Paulo. Paulo Pedrini, coordenador da Pastoral Operária, destaca que o direito à cidade deve ser garantido a todas as pessoas, mencionando a área conhecida como Cracolândia, que tem sido palco de denúncias de violência policial contra usuários de drogas.
Segundo Pedrini, a privatização de empresas públicas geralmente resulta em piora dos serviços e aumento nos preços cobrados da população. Nesse sentido, na última terça-feira (5), movimentos lançaram um plebiscito contra a privatização da Sabesp, Metrô de São Paulo e CPTM. Essa questão será discutida também durante o Grito dos Excluídos.
Além das manifestações, a organização do protesto promove um café da manhã para pessoas em situação de rua na Praça da Sé, onde também são arrecadadas doações de roupas, sapatos e alimentos. O padre Julio Lancellotti participa dessa ação solidária.









