Ex-presidente pagava salário de funcionários com dinheiro sujo

Com o dinheiro sujo, ela pagava salário dos motoristas, contas de água e luz da Casa da Dinda e funcionários. A partir daí o governo Collor naufragou. Até seu partido o traiu. Dos 28 deputados do PRN, 18 votaram pelo impeachment. Por 441 votos a favor contra 38, a Câmara autorizou o Senado a abrir o processo. Ele foi afastado do cargo.

Em 29 de dezembro de 1992, renunciou, mas o julgamento prosseguiu. Ele foi considerado culpado de crime de responsabilidade e impedido de exercer cargo público por oito anos. Em dezembro de 1994, o STF absolveu Collor das acusações de corrupção passiva, mas ele continuou inelegível. Após recuperar os direitos políticos, disputou o governo de Alagoas em 2002. Foi derrotado.

Somente quatro anos depois conse­guiu uma vaga no Senado. Reeleito em 2014, voltou a incorrer em crimes de cor­ru­pção, obtendo vantagens de empreitei­ras que desviaram recursos da Petrobras. Segundo o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, Collor recebia mesada em contratos da BR Distribuidora. O processo tramita no STF.

Acredita-se que a candidatura de Collor faz parte de uma estratégia para ajudar seu pequeno partido, atingido pelas regras que restringem o acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na TV.

Em 1989, Collor derrotou Lula no segundo turno. Agora, o País assiste às pré-candidaturas de um Lula condenado pela Justiça e de um Collor que renunciou por denúncias de corrupção. Mais do que nunca vale o famoso ditado: a história só se repete como farsa. (Com IstoÉ)