
BRASIL – Ex-secretário denuncia falta de repasse de alertas da Abin sobre risco de invasão de prédios públicos durante atos do dia 8 de janeiro
Penteado, que ocupava o segundo cargo mais importante no GSI e foi convidado pelo ex-ministro para tal posição, afirmou que nem ele teve conhecimento dos alertas produzidos pela Abin e entregues a Gonçalves Dias. Segundo o general, essa falta de informação comprometeu o esquema de segurança montado na ocasião.
Durante a sua declaração inicial, Penteado destacou que todas as ações conduzidas pelo GSI no dia 8 de janeiro estão diretamente relacionadas à retenção dos alertas produzidos pela Abin por parte do ex-ministro. Ele ressaltou que, se a Coordenação de Análise de Risco tivesse acesso a esses alertas, as ações previstas no Plano Escudo teriam impedido a invasão do Palácio do Planalto.
Em agosto, o ex-diretor da Abin, Saulo Moura da Cunha, declarou em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que a agência produziu 33 alertas de inteligência sobre os protestos contra a vitória eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, até 5 de janeiro, a Abin avaliava que os atos golpistas teriam pouca adesão, sendo essa percepção alterada nos dias 6 e 7 do mesmo mês.
Na tarde do dia 7 de janeiro, os órgãos de segurança do governo do Distrito Federal já tinham conhecimento de que a manifestação teria um grande número de pessoas. A partir das 8h do dia 8 de janeiro, Saulo Moura da Cunha começou a informar o então ministro Gonçalves Dias sobre cada novo informe recebido.
O próprio ex-ministro do GSI admitiu que avaliou erroneamente a situação que resultou na invasão e depredação de prédios públicos. Gonçalves Dias afirmou que sua avaliação se deu com base em informações divergentes que ele recebeu de contatos diretos.
O general Penteado também afirmou que só teve conhecimento dos alertas da Abin após o dia 8 de janeiro, por meio da imprensa. Ele disse que não recebeu nenhum relatório, mensagem de WhatsApp ou contato telefônico alertando para a possibilidade de ações violentas.
No dia 8 de janeiro, por volta das 14h50, Penteado foi informado de que os manifestantes haviam rompido a barreira policial. Ele então se dirigiu ao Palácio do Planalto, sugerindo ao ex-ministro que não fosse ao local. No trajeto, recebeu a informação de que o Palácio havia sido tomado por um grande número de manifestantes e solicitou o envio de mais tropas.
Ao chegar ao Palácio, por volta das 15h20, Penteado constatou que os responsáveis pela segurança já estavam no local e haviam solicitado reforços ao Comando Militar do Planalto. Ele também confirmou que, naquele dia, praticamente todos os cargos de decisão do GSI eram ocupados por integrantes do governo Bolsonaro.









