BRASIL – Diretora da EBC apoia streaming público para democratizar acesso à cultura audiovisual.

A diretora de Conteúdo e Programação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, afirmou hoje em um seminário sobre o Audiovisual Brasileiro que é necessário criar um streaming público para a distribuição da produção independente nacional. Segundo ela, esse assunto está sendo discutido com diversas instituições, como a Agência Nacional do Cinema (Ancine), a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAV) e a Empresa de Cinema e Audiovisual de São Paulo (SPCine). Pellegrino destacou a importância de trazer o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a mesa de discussões, para que seja possível pensar em um streaming público capaz de abarcar todo o repertório que a EBC receberá de obras independentes.

A EBC, que é responsável pela administração da TV Brasil, tem dado prioridade à produção independente brasileira. Pellegrino comentou que algumas dessas produções serão exibidas a partir de setembro na TV Brasil, e mencionou ainda os incentivos da Lei Paulo Gustavo. Ela também propôs uma discussão sobre a regulamentação do Artigo 27 da Medida Provisória 2228-1/2021, que possibilita a exibição de obras cinematográficas produzidas com recursos públicos em canais educativos e estabelecimentos públicos de ensino.

Apesar da limitação orçamentária para este ano, a TV Brasil tem se destacado pela exibição de conteúdo nacional. Pellegrino afirmou que atualmente a emissora exibe 78% de conteúdo brasileiro e é a quinta maior audiência em TV aberta do país. Ela destacou a importância dos editais do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro (Prodav), que têm impulsionado a produção independente na TV Brasil. Além disso, foi mencionada a recriação da TV Brasil Internacional, que tem como objetivo projetar a imagem do país no mundo por meio da veiculação de conteúdos audiovisuais.

Outro tema abordado no seminário foi a preservação do acervo da Cinemateca Brasileira, que sofreu um incêndio no ano passado. O coordenador-geral de difusão da SAV, André Araújo, destacou a suplementação do contrato de gestão com a Cinemateca, que receberá um aporte de R$ 24 milhões. Segundo Araújo, isso demonstra o compromisso do Ministério da Cultura em valorizar a preservação do patrimônio audiovisual brasileiro.

O encerramento do seminário contou com a participação do assessor da presidência do BNDES e ex-ministro da Cultura, Juca Ferreira. Ele ressaltou alguns desafios enfrentados pelo setor audiovisual brasileiro e concordou com as reivindicações apresentadas em relação à infraestrutura. Ferreira defendeu a isenção fiscal para a importação de equipamentos audiovisuais, argumentando que essa medida estimularia o desenvolvimento do setor e geraria emprego e renda.

Em resumo, o seminário do Audiovisual Brasileiro abordou diversos temas relevantes para o desenvolvimento do setor no país, desde a criação de um streaming público para a distribuição da produção independente até a preservação do patrimônio audiovisual brasileiro. Espera-se que as ideias e propostas discutidas no evento possam contribuir para fortalecer a indústria audiovisual brasileira e ampliar a oferta de conteúdo nacional.