BRASIL – Golpe anunciado por militares no Gabão resulta na detenção do presidente reeleito. Situação política delicada no país.

Oficiais das Forças Armadas do Gabão anunciaram nesta quarta-feira (30) que tomaram o poder do país e colocaram o presidente Ali Bongo em prisão domiciliar. O golpe ocorreu após o órgão eleitoral do país anunciar que Bongo conquistou um terceiro mandato. Em um comunicado transmitido pela televisão, os militares afirmaram que os resultados da eleição foram anulados, as fronteiras foram fechadas e as instituições estatais foram dissolvidas. Segundo eles, representam todas as forças de segurança e defesa do Gabão.

A notícia do golpe foi recebida com comemoração nas ruas da capital Libreville. Centenas de pessoas saíram para celebrar o anúncio, que aparentemente foi gravado no palácio presidencial. Os militares também anunciaram que detiveram Bongo, que assumiu a presidência em 2009, após a morte de seu pai, Omar, que governou o Gabão desde 1967. Críticos argumentam que a família Bongo não compartilhou adequadamente a riqueza do petróleo e da mineração do país com a população de 2,3 milhões de habitantes.

Se o golpe for bem-sucedido, será o oitavo na África Ocidental e Central desde 2020. Países como Mali, Guiné, Burkina Faso e Chade também tiveram militares assumindo o poder nos últimos tempos, revertendo as conquistas democráticas alcançadas nas décadas de 1990 e 2000.

Os próprios militares do Gabão alegam que o país está enfrentando uma grave crise institucional, política, econômica e social. Eles afirmam que a eleição de agosto não foi transparente nem confiável. Tiros foram ouvidos em Libreville após o anúncio do golpe, mas as ruas estavam calmas antes das comemorações. A polícia foi mobilizada para proteger os principais cruzamentos da cidade.

A França, ex-governante colonial do Gabão, está acompanhando de perto a situação. O golpe cria mais incertezas para a presença francesa na região, pois o país tem soldados baseados no Gabão. A China e a Rússia também manifestaram preocupação com a situação e pediram uma resolução pacífica.

A região do Sahel e da África Central tem enfrentado desafios com insurgências islâmicas, o que levou a um enfraquecimento dos governos democráticos. No Gabão, o descontentamento com a família Bongo, que está há 56 anos no poder, tem crescido. O país é membro da OPEP e produz cerca de 200 mil barris de petróleo por dia. No entanto, críticos argumentam que a riqueza do país não é compartilhada de forma adequada com a população, e cerca de um terço dos gaboneses vive em situação de pobreza.

As eleições presidenciais, parlamentares e legislativas no Gabão ocorreram recentemente, e Bongo buscava um terceiro mandato. A equipe do presidente rejeitou as alegações de fraude, mas a falta de observadores internacionais e as medidas tomadas pelas autoridades, como a suspensão de transmissões estrangeiras e o corte do serviço de internet, levantaram preocupações sobre a transparência do processo eleitoral.

Os militares anunciaram ainda que dissolveram as instituições do governo, incluindo o Senado, a Assembleia Nacional, o Tribunal Constitucional e o órgão eleitoral. Após o anúncio, o acesso à internet parece ter sido restaurado no país pela primeira vez desde as eleições.

A situação no Gabão está sendo observada de perto pelos países estrangeiros, pois o golpe representa mais um retrocesso democrático na região. Resta aguardar os desdobramentos e as reações internacionais diante dessa crise política no país africano.