
BRASIL – Hoje o mundo do teatro comemora o centenário de Barbara Heliodora, renomada personalidade dos palcos. Parabéns!
Kyra Piscitelli, vice-presidente da Associação Paulista de Críticos de Artes de São Paulo (APCA), ressalta a importância de Barbara Heliodora no meio teatral. Segundo Kyra, ela foi “uma das últimas, senão a última, crítica a lotar ou a esvaziar um teatro. Ela ditava isso. Ela foi a última que conseguiu esse feito. Hoje em dia, não existe isso. Você não mobiliza nesse nível da crítica. A crítica ficou mais careta ou mais amiga. Ficou diferente”.
A crítica de Barbara Heliodora era mais combativa, menos complacente e conseguiu mobilizar artistas e público. Suas opiniões tinham embasamento e eram respeitadas, fazendo com que as pessoas parassem para ler suas críticas. Kyra afirma que a crítica teatral mudou muito depois dela, focando apenas em definir se uma peça é boa ou ruim, para qual público se destina.
Barbara Heliodora era uma crítica que tinha conceito e conteúdo. Ela frequentava todos os teatros, ia aos espaços e conhecia toda a equipe envolvida nas montagens. Kyra destaca que isso é muito importante para um crítico, já que a pessoa precisa estar no lugar para avaliar uma peça. A crítica teatral perdeu essa característica de ir aos teatros e julgar a partir do espaço físico.
Os artistas tinham medo de Barbara Heliodora, uma lenda que se comprovou verdadeira. Alguns autores chegaram a escrever uma peça chamada “Barbara Não Lhe Adora”, que fazia uma brincadeira com a crítica teatral. A peça conta a história de um grupo de teatro que sequestra Barbara Heliodora após receber uma crítica negativa e exige que ela escreva uma resenha positiva em troca do resgate.
Barbara Heliodora encerrou uma era no teatro, sendo uma crítica imparcial e respeitada. Ela tinha uma seriedade e notoriedade que lhe permitiam falar o que pensava. Ao longo de sua carreira, publicou vários livros e se tornou referência no tema.
Flavio Marinho, diretor teatral que foi amigo de Barbara Heliodora, destaca a importância dela para o teatro carioca. Ela acompanhou todo o trabalho de Flavio quando ele deixou de ser crítico e passou a escrever e dirigir peças. Barbara era uma espectadora atenta, que apontava o crescimento e os detalhes com precisão.
Cristina Pereira, atriz e diretora, também tem boas lembranças de Barbara Heliodora. Ela a considera uma mulher muito culta e lembra que a crítica era como uma professora brava, que causava nervosismo nos atores. Cristina lembra que Barbara elogiou seu trabalho como atriz, mas não gostava de peças em que os atores comentassem sobre a obra de escritores famosos.
Barbara Heliodora deixou uma marca no teatro brasileiro e é uma inspiração por ter ocupado um lugar de destaque em uma época em que poucas mulheres ocupavam cargos de autoridade. Sua imparcialidade e dedicação ao teatro são lembradas e fazem falta nos dias atuais.









