BRASIL – Magnatas desembolsam menos tributos do que funcionários do governo, revelam estudos. Desigualdade tributária impulsiona disparidade social.

Milionários no Brasil pagam menos Imposto de Renda do que servidores públicos e profissionais de renda média e alta, de acordo com um estudo inédito publicado pelo Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional). O levantamento, baseado nos dados do Imposto de Renda Pessoa Física 2022, revelou que os contribuintes com ganhos acima de 160 salários mínimos pagaram uma média de 5,43% de alíquota efetiva de Imposto de Renda.

Essa alíquota efetiva é inferior à de várias categorias profissionais, como médicos, professores de ensino médio, policiais militares e enfermeiros. Além disso, os servidores públicos também pagam mais impostos do que os milionários. A alíquota média para carreiras da administração pública direta foi de 9,54%, chegando a 15,66% para advogados do serviço público.

Uma das razões para essa disparidade é a possibilidade de camuflar rendas pessoais como rendimentos empresariais, o que permite que os milionários aproveitem brechas nas leis fiscais. Além disso, a falta de correção da tabela do Imposto de Renda e a inflação também contribuem para essa desigualdade, já que as rendas dos mais ricos são menos afetadas pela inflação.

O estudo também aponta que os rendimentos isentos e não tributáveis, como lucros e dividendos de empresas, representam uma parcela cada vez maior da renda declarada pelos super-ricos. De acordo com o presidente do Sindifisco Nacional, Isac Falcão, essa regressividade do sistema tributário está se aprofundando, uma vez que os milionários estão utilizando cada vez mais esses recursos, contribuindo menos para a arrecadação federal.

Outro fator que contribui para o menor pagamento de Imposto de Renda em algumas categorias é a chamada pejotização, em que profissionais liberais abrem empresas em seus próprios nomes e recebem como pessoas jurídicas. Isso faz com que eles paguem alíquotas efetivas próximas ou até inferiores às dos super-ricos.

Em 2021, os contribuintes brasileiros receberam um total de R$ 555,68 bilhões em lucros e dividendos, o que representou um aumento de quase 45% em relação ao ano anterior. Segundo o Sindifisco Nacional, esse aumento pode ser atribuído às expectativas de uma possível tributação sobre lucros e dividendos na segunda fase da reforma tributária, levando parte do empresariado a antecipar a distribuição dos lucros para evitar a taxação.

No entanto, é importante ressaltar que o estudo não foi divulgado a fonte das informações utilizadas. A Agência Brasil entrou em contato com o Ministério da Fazenda para obter uma resposta sobre o estudo, mas até o momento da publicação desta matéria, a pasta não se manifestou sobre o assunto.

Essas distorções no sistema tributário reforçam a necessidade de uma reforma fiscal que promova a justiça e a equidade na distribuição da carga tributária no país. É fundamental que sejam implementadas medidas que corrijam as brechas e as desigualdades existentes, garantindo que os impostos sejam pagos de forma mais justa e proporcional à capacidade contributiva de cada cidadão, independentemente de sua renda ou posição social.