
BRASIL – A demanda por empréstimos diminui consideravelmente, registrando uma queda de 14% ao longo do último ano.
Ao longo de 2023, a procura por crédito apresenta uma queda de 12,3%. No acumulado dos últimos 12 meses, a queda é ainda maior, de 14%. Esses números foram obtidos através de um acompanhamento mensal de consultas para concessão de crédito relacionadas aos CPFs dos consumidores no banco de dados da Serasa Experian. Nenhuma unidade federativa registrou crescimento na busca por crédito.
O economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, atribui essa retração à política de juros no país. Segundo ele, os consumidores estão evitando tomar crédito devido às altas taxas de juros, que tornam o momento desfavorável para essa ação.
No início de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa de juros básicos da economia (Selic) para 13,25% ao ano. Essa foi a primeira redução em três anos. A taxa Selic tem influência direta nos juros cobrados pelos empréstimos feitos às pessoas físicas.
A taxa de juros alta é mantida pelo Banco Central como forma de controlar a inflação, porém, ela acaba tendo um efeito adverso, dificultando o acesso ao crédito, o consumo e os investimentos.
O professor de economia Ruy Santacruz, da Universidade Federal Fluminense (UFF), ressalta que, além dos juros altos, o recuo na demanda por crédito também é reflexo da grande procura durante os últimos anos. De acordo com ele, a demanda por crédito não está baixa atualmente, está apenas em um patamar mais alto.
Mesmo assim, Santacruz destaca a importância do crédito para o bom funcionamento da economia, gerando crescimento, emprego e renda. Para o economista, o consumo das famílias é essencial para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Ele enfatiza que o crédito é um termômetro da economia.
O economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, acredita que o aumento na demanda por crédito ocorrerá com um reordenamento do orçamento familiar. Ele destaca a importância da renegociação de dívidas e do corte de gastos para que os consumidores consigam se reorganizar financeiramente.
De acordo com a pesquisa da Serasa Experian, a queda na busca por financiamento foi maior entre pessoas com renda de até R$ 1 mil (queda de 15%) e as com renda superior a R$ 10 mil apresentaram uma retração de 11,5%.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontou que o nível de endividamento das famílias brasileiras caiu para 78,1% em julho, sendo o menor índice desde janeiro. Um dos fatores que contribuíram para essa diminuição foi o programa Desenrola Brasil, criado pelo governo federal para estimular a renegociação de dívidas e limpar o nome do consumidor.
No entanto, o economista da Serasa Experian afirma que o programa Desenrola Brasil não está diretamente associado ao aumento na demanda por crédito. Ele destaca que a demanda por crédito é influenciada por várias variáveis econômicas, como taxa de juros, confiança do consumidor e nível de emprego.









