
BRASIL – Cientistas nacionais descobrem método eficaz para sequenciar material genético antigo, um feito pioneiro para a comunidade brasileira de pesquisa.
Tiago Ferraz, enquanto ainda estava na Alemanha, foi responsável pelo sequenciamento do DNA antigo que resultou no artigo “História Genômica das Sociedades Costeiras do Leste da América do Sul”, publicado na revista Nature Ecology & Evolution. Ele conduziu todas as etapas desse processo, desde a extração do pó de osso que contém o DNA antigo até a análise dos dados e interpretação dos resultados.
Em parceria com pesquisadores da Universidade de Tübingen, na Alemanha, o estudo envolveu a extração do genoma de 34 amostras com até 10 mil anos de idade de diferentes regiões da costa leste do Brasil. Entre as diversas amostras analisadas, destaca-se o esqueleto Luzio, considerado o mais antigo de São Paulo, com cerca de 13 mil anos.
Um dos principais objetivos desse estudo era desvendar a origem das antigas populações costeiras conhecidas como sambaquieiros, que habitaram o litoral brasileiro há milênios e seriam ancestrais dos indígenas atuais. Antes dessa pesquisa, acreditava-se que essas populações poderiam ser dois grupos biológicos distintos, mas os resultados da análise genética mostraram que eles descendem de uma mesma população ancestral que habitava a região há 16 mil anos.
Essa descoberta desafia uma teoria anterior que sugeria duas levas migratórias do continente asiático para a América. A primeira teria ocorrido há 14 mil anos, não deixando descendentes, e a segunda teria entrada há 12 mil anos, originando os indígenas modernos. No entanto, os dados genéticos obtidos no estudo demonstraram que essas migrações não ocorreram, e que houve uma única migração da Ásia para a América.
Tiago Ferraz, após seu treinamento no Instituto Max Planck, aguarda ansiosamente pela inauguração do Laboratório de Arqueologia e Antropologia Ambiental e Evolutiva da USP, o primeiro laboratório de arqueogenética do país. Com a construção desse laboratório, os pesquisadores brasileiros poderão realizar o sequenciamento de DNA antigo sem depender de estruturas estrangeiras.
O objetivo principal desse laboratório é capacitar pesquisadores locais para assim poderem gerar dados arqueogenéticos no Brasil. Tiago Ferraz enfatiza a importância de implementar essa técnica no país e treinar pessoas para trabalhar com DNA antigo, desenvolvendo assim um grupo de pesquisa nessa área.
Em resumo, a conquista dos pesquisadores brasileiros na área da arqueogenética é de grande importância para o avanço da ciência no país. Os resultados obtidos nesse estudo são fundamentais para a compreensão da história genômica das sociedades costeiras do leste da América do Sul e desafiam teorias existentes sobre as migrações humanas na região. Com a inauguração do laboratório, espera-se que mais pesquisas inovadoras sejam conduzidas no Brasil, impulsionando assim o conhecimento na área da arqueologia e da evolução humana.









