
BRASIL – Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, um quarto dos casos de violência contra mulher acontece no ambiente digital.
A promotora de Justiça afirma que a violência cibernética é um problema significativo dentro do universo da violência contra a mulher. Ela participou de uma oitiva na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Combate à Violência Cibernética contra as Mulheres da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo a coordenadora, acredita-se que o número de casos seja ainda maior, pois muitas vítimas têm medo de denunciar. Em julho de 2023, dos 8.073 expedientes atendidos pela Ouvidoria do MPRJ, somente 125 se referiam à violência contra mulheres.
Os canais de denúncia disponíveis são o site, o e-mail e a Sala Lilás. Além disso, a ouvidoria realiza campanhas itinerantes presenciais, quando identifica um aumento nos relatos de mulheres vítimas de violência. O MPRJ está estudando medidas para que as mulheres se sintam mais seguras para denunciar anonimamente.
A presidente da CPI, deputada Martha Rocha (PDT), defende que os profissionais responsáveis pelo primeiro atendimento às vítimas recebam capacitação. Ela destaca a importância da interlocução entre as áreas da saúde e educação para que o profissional de emergência médica possa encaminhar a vítima de violência cibernética para tratamento psicológico. A deputada ressalta que muitas vezes as vítimas de automutilação podem ter sido vítimas desse tipo de violência.
A relatora da comissão, deputada Índia Armelau (PL), abordou os perigos da exposição de crianças e adolescentes nas redes sociais, mesmo com autorização dos pais ou responsáveis. De acordo com a deputada, há relatos de influenciadores que pararam de publicar conteúdo na internet após receberem mensagens de ódio. Ela expressa preocupação especialmente em relação à pedofilia e pornografia infantil.
A violência cibernética contra as mulheres é uma questão que precisa ser abordada de forma séria e urgente. É necessário que medidas sejam tomadas para garantir que as vítimas se sintam seguras ao denunciar e que haja a devida capacitação dos profissionais que lidam com esses casos. Além disso, a exposição de crianças e adolescentes nas redes sociais também requer atenção e cuidado, visando proteger esses jovens de possíveis abusos. A luta contra a violência virtual é essencial para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.









