
BRASIL – Indígena baleado por garimpeiros em Roraima falece, provocando indignação e revolta na comunidade local.
As associações indígenas Ninam (Taner) e Hutukara Associação Yanomami (HAY) exigem que o caso seja esclarecido e que o grupo responsável pelo ataque seja responsabilizado. De acordo com as lideranças yanomami, a comunidade está cansada de presenciar o derramamento de sangue em seu território, provocado por invasores que além de roubar as riquezas naturais, devastam o ambiente, o contaminam e tiram vidas. As entidades apelam por justiça e solicitam novamente aos órgãos públicos a urgência na remoção dos garimpeiros da Terra-Floresta yanomami.
O relatório “Nós Ainda Estamos Sofrendo”, lançado pelas associações HAY, SEDUUME e Urihi Associação Yanomami em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), destaca que algumas medidas adotadas pelo poder público trouxeram resultados positivos, mas que parte dos garimpeiros tem retornado ao território yanomami através de vias fluviais. Segundo as lideranças, os invasores têm se mantido em locais próximos às aldeias, como Papiu, Parafuri, Xitei e Homoxi, e chegam regularmente por meio de voos de helicóptero.
Este mês marca o 30º aniversário do Massacre de Haximu, um episódio trágico reconhecido pela Justiça brasileira como um crime de genocídio. O massacre ocorreu em 1993, quando garimpeiros ilegais do Alto Orinoco descumpriram um acordo com os yanomami que viviam na região de fronteira entre o Brasil e a Venezuela. Após um grupo de garimpeiros executar quatro indígenas em retaliação a um assassinato cometido por um yanomami, outro grupo invadiu a aldeia yanomami, assassinando a tiros e golpes de facão 12 indígenas, incluindo mulheres, crianças e idosos.
A Agência Brasil entrou em contato com o Ministério dos Povos Indígenas, a Fundação dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública em busca de posicionamentos sobre o caso, mas aguarda retorno. A situação evidencia a urgência de medidas efetivas para proteger os territórios indígenas e combater a invasão e exploração ilegal, garantindo a segurança e o bem-estar das comunidades tradicionais.









