BRASIL – Grupo Mobiliza Saracura/Vai-Vai realiza ato de comemoração e reafirmação de seus protestos após um ano de intensas batalhas.

Após completar um ano desde o início de suas atividades, os participantes do Movimento Mobiliza Saracura/Vai-Vai realizaram um ato neste sábado (19) para celebrar o primeiro período de mobilização da sociedade e participação política e social, com vistas à política pública da cidade. O ato consistiu em um abraço simbólico ao território do Quilombo do Saracura, em frente à Praça 14 Bis, e também destacou um momento importante do Sítio Arqueológico, onde foram encontradas mais provas de materialidade religiosa.

O sítio arqueológico foi descoberto em abril de 2022, quando as obras da futura Estação Saracura/14 Bis, da linha 6-Laranja do metrô, já haviam começado. As obras desalojaram a Escola de Samba Vai-Vai, fundada por descendentes do Quilombo Saracura, localizada atualmente no bairro do Bixiga. Em maio deste ano, um procurador e uma perita do Ministério Público Federal (MPF) fizeram uma vistoria no local e avaliaram a forma como os trabalhos arqueológicos estavam sendo conduzidos, uma vez que o sítio pode conter vestígios de um antigo quilombo.

Durante o ato, a socióloga e integrante do Mobiliza Saracura/Vai-Vai, Rose Almeida, ressaltou a necessidade de uma revisão imediata da licença para a obra, que apresenta irregularidades, como a dispensa da pesquisa prévia arqueológica. Rose destacou a importância do resgate arqueológico para a sociedade, permitindo a participação social e comunitária, considerando também o impacto da obra no território.

Além disso, Rose afirmou que o Mobiliza deve retornar ao local para acompanhar o trabalho e saber o que está sendo encontrado, pois esse resgate é de extrema importância para a sociedade. Ela reforçou que o movimento não é contra o progresso, mas defende que as intervenções no território sejam realizadas em diálogo com a comunidade afetada.

A socióloga também apontou a falta de um plano de mitigação dos impactos da obra na área e na comunidade, destacando que diversos comércios ao redor da obra estão fechando devido às alterações viárias e ao fechamento de ruas. A circulação mudou e os moradores estão enfrentando dificuldades para chegar em suas casas.

Rose ressaltou ainda a importância de garantir a permanência da população negra no local, diante do aumento dos preços dos aluguéis em razão da valorização da área. Ela destacou que a maioria das pessoas negras está nas classes C, D e E, e com o aumento dos preços dos aluguéis, elas não conseguem mais se manter no território, o que acaba resultando em uma gentrificação da região central.

O ato realizado pelo Mobiliza Saracura/Vai-Vai marcou um ano de luta e mobilização pela revisão da licença para a obra da Estação Saracura/14 Bis, ressaltando a importância de respeitar a história e a identidade da comunidade quilombola do Saracura.