
BRASIL – Relatos de execuções sumárias e tortura chegam à CNDH na Operação Escudo. Denúncias alarmantes expõem grave violação de direitos humanos.
Em um comunicado público emitido nesta quinta-feira (17), o CNDH informou que obteve relatos extremamente preocupantes, que incluem “execuções sumárias, tortura, invasões de domicílios, destruição de moradias e demais abusos e excessos praticados pelas forças de segurança”. Além disso, o documento aponta que houve recorrentes denúncias de negação de acesso a informações por parte das famílias das vítimas e violação do direito ao luto, pois muitos corpos foram entregues em caixões lacrados, impossibilitando o reconhecimento dos familiares.
A comissão responsável por ouvir os relatos foi composta pelo presidente do CNDH, André Carneiro Leão, pelo conselheiro Darcy Costa e pelo assessor técnico Maurício Vieira. Durante as audiências, foram escutadas lideranças das comunidades afetadas e familiares das vítimas. O relatório final destaca que os depoimentos apresentam indícios de contrariedade aos Princípios Básicos da ONU para uso da força por parte dos profissionais responsáveis pela aplicação da lei.
A Operação Escudo foi uma resposta da PM à morte do soldado Patrick Bastos Reis, pertencente às Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Ele foi fatalmente atingido por um disparo em Guarujá, no dia 27 de julho. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo, o soldado foi baleado enquanto realizava patrulhamento em uma comunidade.
Ainda ontem (17), o delegado da Polícia Federal (PF) Thiago Selling da Cunha foi alvo de criminosos durante uma operação de busca e apreensão na comunidade da Vila Zilda, em Guarujá. Ele foi atingido na cabeça e encontra-se em estado grave no Hospital Santo Amaro.
Procurada para comentar a situação, a SSP afirmou que a Operação Escudo está sendo conduzida conforme a lei e que quaisquer desvios serão devidamente investigados.
A missão do CNDH na Baixada Santista revela a gravidade da situação e a necessidade urgente de uma investigação minuciosa para apurar os abusos e irregularidades cometidos durante a Operação Escudo. É imprescindível que haja transparência e que os responsáveis por essas violações de direitos humanos sejam devidamente responsabilizados. A sociedade espera respostas rápidas e efetivas para garantir que a atuação das forças de segurança seja pautada pela legalidade e respeito aos direitos fundamentais.









