
Evento de Alckmin acirra briga com Tarcísio por paternidade de obras
Um evento marcado pelo governo federal na capital paulista para assinatura da operação de crédito do Banco do Brasil ao governo paulista na obra do Túnel Santos-Guarujá acirrou a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) pela paternidade de obras em São Paulo. Fontes do Palácio Bandeirantes têm criticado a “necessidade do governo Lula aparecer como responsável pela obra”.
O projeto do túnel submerso que irá ligar as cidades de Santos e Guarujá, no litoral paulista, será um investimento de R$ 6,8 bilhões, dos quais R$ 5,1 bilhões serão divididos, meio a meio, entre os governos federal e de São Paulo. O leilão para a construção do túnel ocorreu em 5 de setembro do ano passado e foi vencido pelo consórcio português Mota-Engil. Na B3, Tarcísio e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) dividiram o martelo que foi batido para simbolizar a conclusão do certame.
A cerimônia que incomodou o governo de São Paulo será às 14h desta segunda-feira (13/4), na sede do Banco do Brasil, na avenida Paulista. O governo federal será representado por Alckmin e o ministro da Fazenda, Dario Durigan. A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, também estará presente e o governo de São Paulo será representado pelo secretário da Fazenda, Samuel Kinoshita.
Kinoshita foi convidado sexta-feira à tarde para o evento que, segundo o governo Tarcísio, foi organizado “a toque de caixa”. A assinatura se refere a um crédito que será pago pelo governo estadual. Há ainda uma suspeita por parte da gestão paulista de que uma fala do governador em Campinas pode ter sido um motivo a mais para a cerimônia do governo Lula.
Diante de exigências do Tribunal de Contas da União (TCU) para liberar o recurso da União para a obra, Tarcísio disse que poderia bancar todo o projeto.
“Existe a possibilidade de bancar tudo. Se nós tivermos que aportar 100% do dinheiro, nós vamos aportar”, afirmou o governador, na manhã de sexta-feira (10/4), após anunciar obras no interior do estado.
Integrantes do governo de São Paulo reclamam que uma assinatura burocrática foi transformada em “solenidade que deve ser marcada pelo tom político em ano eleitoral”. Fontes da gestão Tarcísio também lembram de outros episódios em que o governo federal usou de investimentos em infraestrutura no estado como palanque político em disputas pela “paternidade” das obras.
Uma das cerimônias citadas foi a assinatura do financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) para a obra do Trem Intercidades, entre Campinas e São Paulo, que ocorreu em março. No evento, Lula e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, criticaram Tarcísio — que não foi à cerimônia. A equipe do Palácio dos Bandeirantes ficou na bronca, porque o governador foi convidado “de última hora”.
Túnel Imerso Santos-Guarujá
- Esperado há quase 100 anos, o Túnel Imerso Santos-Guarujá será o primeiro túnel imerso de toda a América Latina.
- Com uma profundidade de 21 metros e 860 de extensão, terá seis pistas (três para cada sentido).
- A expectativa é de que a travessia seja feita em pouco mais de 1 minuto e meio de carro.
- Atualmente, a travessia é feita por meio de balsa ou pela Rodovia Piaçaguera-Guarujá, podendo durar mais de uma hora.
O Metrópoles procurou a assessoria de imprensa do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro da Fazenda Dario Durigan para comentar o assunto e não obteve retorno. O espaço segue em aberto.
FONTE: Metrópoles






