Auditoria aponta “incerteza relevante de continuidade” da Oncoclínicas

A Oncoclínicas e a empresa de auditoria Deloitte mencionaram no balanço da empresa, divulgado na noite de quinta-feira (9/4), notas sobre uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional” da rede particular de tratamento de câncer. No ano passado, a companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 3,67 bilhões, uma piora de 80% em relação às perdas de R$ 717 milhões apuradas em 2024.

A administração da Oncoclínicas confirmou que “existe incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da companhia”. E observa: “A continuidade das operações depende substancialmente do êxito das negociações em curso com credores, da obtenção de waivers (na prática, a dispensa de cumprir aspectos de acordos da dívida) ou da reestruturação das obrigações financeiras, da adequação da estrutura de capital e da melhoria da geração de caixa operacional”.

No balanço, a Oncoclíncas informou que a obrigação de empréstimos, financiamentos e debêntures reconhecidas no passivo circulante consolidado em 31 de dezembro de 2025 é de R$ 3,2 bilhões. Desse total, R$ 2,9 bilhões estão diretamente impactados pelo não cumprimento de cláusulas contratuais (os covenants) presentes nos acordos de dívidas.

Regras descumpridas

A empresa descumpriu duas regras financeiras previstas nos acordos. Uma delas foi o índice de alavancagem, que mede a proporção entre dívida líquida e resultado operacional. Ele ficou em 4,27 vezes, acima do limite máximo de 3,5 vezes. O outro ponto diz respeito ao índice de cobertura de juros, que mede a capacidade de pagar os encargos financeiros com o resultado obtido. Ele foi de 1,35 vez, abaixo do mínimo exigido de 1,75 vez.

O não cumprimento dos covenants dá aos credores o direito de exigir o pagamento antecipado dos débitos. De acordo com o balanço, dos R$ 2,9 bilhões ligados a covenants, a empresa obteve acordos (os mencionados waivers) para um total de pouco mais de R$ 1 bilhão. Restam, contudo, vencimentos de curto prazo (nesse caso, o tempo considerado é um ano) de R$ 1,88 bilhão.

Mas, caso as dívidas para as quais a companhia não obteve o acordo tenham seu vencimento antecipado exigido pelos credores, os débitos em torno dos quais a empresa conseguiu o waiver também podem vencer no curto prazo.

Saída da crise

A Oncoclínicas, contudo, afirma que implementa um plano de negócios para atender às necessidades de capital de curto, médio e longo prazos. Ela atribui o cenário negativo a acontecimentos que afetaram a liquidez, como perdas de recursos (R$ 430,8 milhões) depositados em instrumentos financeiros do Banco Master e inadimplência (R$ 861,9 milhões) da Unimed FERJ.

Além disso, na lista de entraves mais críticos, constam ainda o elevado nível de endividamento, com perfil de vencimento concentrado no curto prazo em decorrência da quebra de covenants, uma geração de caixa operacional inferior às necessidades de serviço da dívida e restrições contratuais associadas aos instrumentos de dívida.

Para a Deloitte, a continuidade operacional da Oncoclínicas depende da implementação bem-sucedida de planos que incluem, entre outros, negociações com credores para obtenção de dispensas (os waivers) contratuais, acordos de adiamento de cobrança de dívidas e a captação de novos recursos ou a reestruturação de suas obrigações financeiras.


FONTE: Metrópoles

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