
Jatinhos de Vorcaro pousaram em Brasília uma vez a cada 15 dias
Os jatinhos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, pousaram em Brasília pelo menos 55 vezes desde 2023. Essa quantidade de visitas significa que a capital federal foi a quarta localidade mais visitada pelas aeronaves do empresário mineiro, atrás apenas de São Paulo, Belo Horizonte e Miami (EUA).
O dado mostra como a proximidade com o poder político se tornou essencial para o modelo de negócios do dono do Banco Master. Em 2023, os dados registram apenas quatro visitas a Brasília. Em 2024, foram 36 vindas — ou um pouso na capital federal a cada 10 dias, em média.
Os dados foram levantados pela coluna por meio de uma raspagem de dados do sistema ADS-B, disponibilizados na plataforma ADS-B Exchange.
As chegadas dos jatos de Vorcaro a Brasília foram registradas entre os dias 11 de abril de 2023 e 16 de novembro de 2025 — ou seja, o sistema registrou um pouso das aeronaves na capital federal a cada 17 dias, em média.
Além de Brasília, os destinos mais comuns dos jatos do empresário mineiro foram outras cidades onde ele tinha residência. São Paulo (SP) lidera, com 220 aterrissagens; Belo Horizonte (MG), terra natal de Daniel Vorcaro, está em segundo lugar, com 125 pousos.
Em Brasília, Vorcaro tem uma mansão na QI 26 do Lago Sul, área nobre da capital federal. Foi nesta residência que ele recebeu por duas vezes o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O terceiro lugar é Fort Lauderdale (FL), localidade a poucos quilômetros de Miami, nos Estados Unidos, onde ele também tem propriedades. Foram 79 pousos.
Ao todo, nesse período, os jatos de Vorcaro voaram para 358 localidades, tanto no Brasil quanto no exterior.
Foram consideradas quatro aeronaves que pertenciam a Vorcaro: o Dassault Falcon 7X (matrícula PS-FST); o Gulfstream GV-SP (PR-PSE); o Dassault Falcon 2000 (PP-CFF) e o Gulfstream G700 (PS-MGG).
Os três primeiros pertenciam à Viking Participações, a holding patrimonial de Vorcaro. O último e mais caro deles, avaliado em R$ 500 milhões, ficou em nome de uma empresa ligada à Prime You, uma firma de compra compartilhada de bens de luxo da qual Vorcaro foi sócio até setembro de 2025.
Estão fora da conta outras aeronaves da Prime You, como o jato que voou de Brasília a Marília (SP), terra natal do ministro do STF Dias Toffoli.
Nas viagens a Brasília, Vorcaro costumava usar mais o Dassault Falcon 7X (23 ocasiões) e o Dassault Falcon 2000 (também 23 vezes). Já o Gulfstream GV-SP pousou na capital federal apenas 9 vezes. A aeronave mais cara do ex-banqueiro, o Gulfstream G700, não esteve na capital no período.
A busca também mostra que o banqueiro — ou, pelo menos, seus jatinhos — costumava chegar a Brasília às terças e quartas-feiras. Das 55 aterrissagens no Distrito Federal, 40 aconteceram nesses dias: 11 às terças e 29 às quartas. Juntos, eles somam 73% dos pousos.
Nas sextas-feiras, os jatos de Vorcaro costumavam chegar na parte da tarde ou à noite.
Como rastrear as aeronaves de Vorcaro
As informações desta reportagem foram levantadas usando o sistema ADS-B. A sigla em inglês significa “Automatic Dependent Surveillance – Broadcast”, ou “Vigilância Dependente Automática em Radiodifusão”, em tradução livre.
O ADS-B é um sistema em que a própria aeronave transmite sua posição, velocidade e altitude usando o GPS. Essas informações são captadas por antenas no solo e por outras aeronaves, permitindo o monitoramento do tráfego aéreo em tempo real.
Para este levantamento, a coluna criou um script na linguagem de programação R capaz de “raspar” os dados da plataforma ADS-B Exchange, que reúne dados do sistema coletados por entusiastas de aviação ao redor do mundo.
A raspagem é o processo de automatizar a mesma coleta de informações que poderia ser feita manualmente, enviando milhares de requisições à página do ADS-B Exchange.
Para interpretar os dados, o script considerou as coordenadas do local onde a aeronave desligou a transmissão de dados para o ADS-B. Essas coordenadas foram depois comparadas com a localização dos aeroportos mais próximos.
FONTE: Metrópoles


