
Laboratório pioneiro impulsiona produção do vinho no Centro-Oeste
Uma solenidade realizada na tarde desta terça-feira (31/3) marcou a inauguração do Centro de Análises e Pesquisa da Vitivinicultura Brasileira, instalado no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, no PAD-DF. O laboratório de vinhos é fruto de uma parceria entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Associação Nacional dos Produtores de Vinho de Inverno (Anprovin).
O espaço, que foi cedido pela Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF), atenderá mais de 55 vinícolas associadas à Anprovin, distribuídas pelo Sudeste, pelo Centro-Oeste e pela Chapada Diamantina, e estará aberto a produtores de outras regiões interessadas em análises técnicas especializadas
Durante o evento de inauguração, o presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, destacou o simbolismo da entrega. Segundo ele, o laboratório vai além da estrutura física: representa a concretização de um projeto capaz de transformar a cadeia produtiva do vinho na região.
“É a materialização de um esforço. A gente aposta em um projeto e, quando vê ele de pé, funcionando, é uma grande satisfação. E esse equipamento é muito mais do que parece: ele se torna um vetor que estimula novos parceiros e fortalece toda a cadeia produtiva”, afirmou.
De acordo com Cappelli, o impacto direto para os produtores será significativo. Hoje, as análises laboratoriais precisam ser feitas no Rio Grande do Sul, o que encarece o processo e traz riscos logísticos. Com a nova estrutura, esse cenário muda completamente.
“O laboratório vai reduzir em até 50% os custos dos produtores. Antes, era necessário enviar amostras de vinho para o Sul do país, muitas vezes com perdas no transporte. Agora, teremos aqui pesquisa, tecnologia e certificação atendendo o Centro-Oeste, além de regiões de Minas Gerais e da Bahia”, explicou.
Além da certificação, o laboratório também terá papel fundamental no desenvolvimento de pesquisas e inovação. Entre as iniciativas previstas está a parceria com a Embrapa Cerrados, que deve viabilizar estudos voltados ao aprimoramento da produção na região.
A iniciativa, que recebeu R$ 3,4 milhões da ABDI para construção e instalação, fortalece o protagonismo do Centro-Oeste no mapa nacional da vitivinicultura ao impulsionar pesquisa e desenvolvimento, gerar empregos e dinamizar a economia regional com foco na sustentabilidade da cadeia produtiva.
Outro ponto destacado pelo presidente da ABDI é o potencial econômico da região. Localizado a cerca de 1 hora de Brasília, o polo tem capacidade para atrair consumidores e impulsionar o enoturismo — turismo gastronômico focado na apreciação da cultura vinícola.
“Aqui tem tudo para se tornar um grande polo de desenvolvimento. Há mercado consumidor, há estrutura e há qualidade. Já temos vinhos premiados internacionalmente. As pessoas não precisam mais ir para fora do país: podem vir ao PAD-DF conhecer e consumir vinhos de excelência”, afirmou.
Veja fotos da inauguração:
Demanda dos produtores
O presidente da Anprovin, Claudio Góes, ressaltou que a criação do laboratório nasce de uma demanda direta dos produtores da região por suporte técnico e tecnológico. Segundo ele, a expansão da vitivinicultura no Centro-Oeste exigia uma estrutura capaz de acompanhar o crescimento da atividade.
“Essa demanda surgiu em conversas com a ABDI e com o setor produtivo local. O produtor está no campo, cuidando do manejo, produzindo uvas e vinhos, mas precisava de um apoio técnico mais próximo. O laboratório vem justamente para atender essa necessidade”, explicou.
Góes destacou que regiões tradicionais do país já contam com estruturas semelhantes, mas que o Distrito Federal ainda carecia desse tipo de suporte. “Agora, com esse apoio, conseguimos preencher uma lacuna importante para o desenvolvimento da atividade aqui”, afirmou.
Além disso, a estrutura deve beneficiar uma ampla área produtiva. “Temos cerca de uma centena de vinícolas em um raio de 200 quilômetros. Todo esse setor passa a contar com orientação, certificação, rastreabilidade e controle de qualidade”, completou.
Produtor e uma das lideranças do setor, Ronaldo Triacca classificou a inauguração como um marco não apenas para os vinhos de inverno, mas para toda a vitivinicultura nacional. Segundo ele, o nível tecnológico do laboratório permitirá atender diferentes regiões produtoras do país.
“É um dia para entrar na história da vitivinicultura brasileira. Esse laboratório, com o nível tecnológico que tem, vai atender muitas regiões e elevar ainda mais a qualidade dos nossos vinhos”, afirmou.
Triacca também destacou a importância da parceria institucional que viabilizou o projeto, ressaltando o apoio da ABDI e o envolvimento direto do presidente Ricardo Cappelli desde o início das tratativas.
“Quando apresentamos a necessidade de um laboratório, a resposta foi imediata: ‘cadê o projeto?’. A partir dali, começamos a construir essa entrega que hoje se concretiza. Isso mostra o compromisso com iniciativas que realmente trazem retorno para o setor produtivo”, disse.
Polo tecnológico
Projetada com infraestrutura de ponta, a unidade terá capacidade para realizar até 400 análises mensais, seguindo os padrões recomendados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). As atividades incluem análises físico‑químicas básicas e exames avançados de perfil molecular e cromatográfico.
O novo centro foi estruturado para atuar como referência nacional em análises avançadas para o setor vitivinícola. O laboratório se destaca pela capacidade de realizar exames de alta precisão por cromatografia líquida, que identificam e quantificam compostos como ácidos orgânicos e fenólicos, determinantes para o perfil sensorial dos vinhos.
Conheça o laboratório:
Outro diferencial é a realização de análises por cromatografia gasosa, empregada para mensurar metanol, álcoois superiores e outros componentes críticos para a segurança e a padronização dos produtos.
Com esse conjunto de recursos e serviços, o laboratório posiciona o Distrito Federal como um novo polo tecnológico da vitivinicultura nacional, reforçando a rastreabilidade, o rigor científico e a capacidade de inovação dos vinhos de inverno.
Os vinhos de inverno são hoje uma das vertentes mais inovadoras da vitivinicultura nacional. A técnica da dupla poda, que desloca a colheita para o período seco do inverno, permite a produção de vinhos de maior qualidade fora do calendário tradicional.
Mais de 55 vinícolas associadas à Anprovin adotam o manejo em estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Goiás, Mato Grosso e DF. Todas seguem rigorosos critérios de certificação e recebem o selo da entidade, que garante procedência e qualidade.
FONTE: Metrópoles



























