
Ex-mulher de coronel preso relatou stalking e perturbação há 16 anos
Uma dentista, atualmente com 51 anos, procurou a Polícia Civil de Taubaté, interior paulista, para registrar um boletim de ocorrência de perturbação contra o ex-marido, o então major Geraldo Leite Rosa Júnior. Era a manhã de 18 de janeiro de 2010.
O oficial da PM, atualmente com a patente de tenente-coronel, está preso desde o último dia 18, sob a suspeita de assassinar com um tiro na cabeça a atual esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, no apartamento onde o casal morava no Brás, centro paulistano.
Ele nega o crime, concretizado em 18 de fevereiro, sustentando até o momento, assim como sua defesa, que Gisele teria se suicidado por não aceitar o fim do relacionamento. A versão dele é enfraquecida por mensagens, recuperadas pela Polícia Científica no celular da vítima.
Perseguição da ex
Em 2010, a já ex-esposa do oficial da PM afirmou em depoimento à Polícia Civil que, após o casal se separar, a Justiça determinou as datas nas quais Geraldo Neto poderia visitar e levar consigo a filha, fruto do relacionamento encerrado.
“Porém, a vítima vem sofrendo vários problemas de perturbação de sua tranquilidade, em face do autor [Geraldo Neto] estar indo em horários e datas que não estão determinados pela Justiça”, diz trecho do documento policial, obtido pela reportagem.
A dentista acrescentou que, além disso, o oficial da PM realizava telefonemas, “em horários diversos”, fazendo com que ela mudasse “por três vezes” a linha telefônica.
Ainda na delegacia, a ex-esposa afirmou que — apesar de saber que a filha estava passando, na ocasião, férias na casa dos avós — Geraldo Neto usava a desculpa de estar à procura da filha para se aproximar da dentista. A ex-mulher, então, procurou o comando da PM, que a orientou a registrar o boletim de ocorrência.
“Distanciamento”
Ela ainda acrescentou que já havia movido uma ação, por meio da qual solicitava o “distanciamento” do oficial da PM, fato que o mesmo não vem [vinha] obedecendo”. A Polícia Civil, à época, encaminhou uma cópia do B.O. à Vara da Família e das Sucessões da Comarca de Taubaté.
Procurada pelo Metrópoles, nessa terça-feira (31/03), a ex-mulher do tenente-coronel preferiu não comentar sobre o caso.
A defesa de Geraldo Leite Rosa Neto também foi questionada. O advogado Eugênio Malavasi afirmou, por meio de mensagem, que irá se manifestar somente no processo. O espaço segue aberto.
FONTE: Metrópoles


