Técnica de enfermagem que tentou sair de hospital com bebê é solta

A técnica de enfermagem que foi presa ao tentar sair do Hospital Regional de Santa Maria com um bebê recém-nascido foi solta nesta segunda-feira (30/3), após passar por audiência de custódia no dia anterior.

Eliane Borges Tavares Dias Vieira, de 44 anos, foi detida no sábado (28/3) com a criança que havia nascido poucas horas antes. Enquanto a mãe permanecia desacordada no pós-operatório, ela tentou sair da unidade de saúde e ainda disse aos seguranças e policiais que se tratava de uma “brincadeira”.


Mais informações da soltura:

  • Eliane está proibida de acessar qualquer unidade neonatal, maternidade, centro obstétrico ou berçário em qualquer unidade de saúde, pública ou privada, durante todo o curso do processo.
  • Ela deve manter uma distância mínima de 300 metros do Hospital de Santa Maria.
  • A técnica não pode ter qualquer tipo de contato com a mãe da criança ou com os profissionais de saúde e vigilantes que testemunharam o ocorrido.
  • O caso segue sob investigação da 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria) para apurar se havia intenção de subtração de incapaz ou outros crimes.
  • A reportagem entrou em contato com a defesa da técnica de enfermagem, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.

A técnica de enfermagem disse que não teve qualquer intenção de subtrair o recém-nascido ou de retirá-lo das dependências do hospital.

Ouvida pelos policiais, ela relatou que estava em seu plantão de 12 horas e, após uma cirurgia cesariana, prestava assistência a um bebê que apresentava quadro de hipoglicemia.

A técnica declarou que, após a interação com a segurança, retornou à Sala de Recuperação Pós-Anestésica (RPA), entregou o bebê à mãe e verificou se o leite solicitado para a correção da glicemia já havia chegado. Ela também disse que salientou à colega de trabalho sobre a “brincadeira” que iria realizar.

Eliane ressaltou que trabalha na área da saúde há vários anos, estando há três anos no Hospital de Santa Maria e com passagens por outras unidades materno-infantis.


Mais detalhes: 

  • Em depoimento na 20ª Delegacia de Polícia (Gama), uma das vigilantes relatou que estava em seu posto quando viu a técnica deixando o setor obstétrico em atitude suspeita.
  • Ao notar a movimentação, a vigilante se levantou e questionou o destino da funcionária, que inicialmente ignorou o chamado e seguiu caminhando.
  • A abordagem só foi concluída após a aproximação de uma segunda vigilante, que deu apoio à ação.
  • Ao ser confrontada pelas seguranças sobre o que carregava, Eliane revelou tratar-se de um bebê.
  • Segundo uma das vigilantes, a técnica teria sorrido e afirmado: “Parabéns, você passou no teste”.
  • De acordo com o relato da vigilante, Eliane insistiu que se tratava de uma “brincadeira” ou simulação para testar a eficiência da vigilância hospitalar, repetindo frases de elogio à segurança enquanto retornava ao setor.

Pedido de desculpas

A vigilante disse que, devido à gravidade da conduta, acionou imediatamente o registro de ocorrência e a supervisão. Ela também contou que Eliane apresentou-se abalada, chorou e pediu desculpas, alegando estar passando por problemas pessoais.

Por sua vez, o superior de Eliane esclareceu aos policiais que nenhum técnico de enfermagem tem autonomia para retirar um recém-nascido do setor sem autorização e acompanhamento do enfermeiro responsável e do médico pediatra.

Ele também enfatizou que, caso houvesse necessidade de remoção para exames ou UTI, seria montada uma estrutura com maleta de parada cardíaca, medicamentos e equipe multiprofissional, o que não ocorreu no caso em questão.

O que diz o Iges-DF

O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), responsável pela administração do Hospital Regional de Santa Maria, informou que identificou uma tentativa indevida de retirada de uma criança da unidade por uma colaboradora, sem qualquer autorização e em total desacordo com os protocolos institucionais.

“O Iges-DF destaca que dispõe de equipes de segurança altamente qualificadas e treinadas, com atuação rigorosa especialmente nos fluxos das maternidades, que seguem protocolos estritos de controle, identificação e circulação, assegurando a proteção integral de pacientes e recém-nascidos”, afirma.

A profissional foi afastada de forma imediata, e o caso está sob análise das áreas competentes para a adoção de todas as medidas administrativas e legais.

“O Instituto reforça que não tolera qualquer conduta que viole suas normas e atua com absoluto rigor na apuração de fatos que possam comprometer a segurança de pacientes, familiares e equipes assistenciais, mantendo plena colaboração com as autoridades”, declarou.


FONTE: Metrópoles

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