
ESCÂNDALO – Secretário afastado critica operação da PF e nega irregularidades na gestão da Saúde em Alagoas

Afastado do cargo por 180 dias por decisão judicial, o secretário de Estado da Saúde de Alagoas, Gustavo Pontes de Miranda, criticou a operação deflagrada pela Polícia Federal que investiga um suposto esquema milionário de desvio de recursos públicos na área da Saúde. Em nota encaminhada à imprensa nesta terça-feira (16), o gestor classificou a atuação da PF como um “abuso” e afirmou que a corporação extrapolou suas competências institucionais.
Segundo Gustavo Pontes, a operação teria caráter persecutório e não apresentaria elementos que justificassem a atuação federal no caso. Ele ressaltou que possui mais de 30 anos de atuação na medicina e na atividade empresarial e afirmou nunca ter sido citado em investigações de natureza criminal.
Na manifestação pública, o secretário afastado também destacou ações desenvolvidas durante sua gestão à frente da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), mencionando avanços em áreas da saúde pública e a construção de uma unidade hospitalar em Palmeira dos Índios. De acordo com ele, a obra foi custeada exclusivamente com recursos do Estado, sem utilização de verbas federais ou emendas parlamentares.
A Operação Estágio IV, conduzida pela Polícia Federal com apoio de outros órgãos de controle, apura suspeitas de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro envolvendo contratos emergenciais firmados pela Sesau, além de possíveis irregularidades relacionadas a verbas do Sistema Único de Saúde (SUS). Durante o cumprimento dos mandados, a PF informou a apreensão de aproximadamente R$ 815 mil em espécie.
Entre os bens atribuídos ao grupo investigado, segundo a apuração, estão uma pousada localizada no município de Porto de Pedras, adquirida em 2023 por cerca de R$ 5,7 milhões, além de viagens internacionais e gastos pessoais que teriam sido custeados com recursos do suposto esquema.
O afastamento de Gustavo Pontes pelo período de 180 dias foi solicitado pela Polícia Federal e acatado pelo governador Paulo Dantas, com o objetivo de preservar o andamento das investigações. O caso segue em apuração, e os investigados têm assegurados o direito ao contraditório e à ampla defesa.

