LITERATURA – A poesia cenográfica de Mirna Porto Maia encanta na 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas

A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, realizada pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), encantou o público não apenas pela programação literária e artística, mas também pela força visual de seus espaços cenográficos. Com o tema “Brasil e África”, o evento transformou o Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso em um verdadeiro encontro de raízes, ancestralidades e simbologias, tudo traduzido em arte por meio do olhar sensível e criativo da arquiteta e cenógrafa Mirna Porto Maia.

As obras e instalações artísticas instagramáveis da Bienal foram destaque nas redes sociais e nos corredores do evento, levando os visitantes a uma imersão visual repleta de significado. A artista traduziu o diálogo entre as culturas afro-brasileira e africana com uma combinação de estética, simbolismo e contemporaneidade.

Entre as obras mais marcantes deste ano, chamaram atenção as imponentes instalações de Baobás, árvores sagradas que representam a sabedoria ancestral, e as figuras Andrikas e de Sankofa, símbolo africano que convida ao resgate do passado para construir o futuro, ambos interpretados por Mirna com um toque de afrofuturismo e lirismo visual.

Na praça de alimentação, os ombrelones ganharam uma versão poética, revestidos de cravos vermelhos em referência à Revolução dos Cravos — movimento que marcou a libertação de quatro países africanos de língua portuguesa ainda sob domínio colonial. A instalação propõe um diálogo visual entre o florescer da arte e o despertar da consciência, transformando o espaço em uma metáfora viva sobre a força das revoluções culturais e a beleza que nasce do gesto de resistência.

Mais do que compor cenários, a artista cria experiências imersivas que fundem arquitetura, poesia e espiritualidade.

Trajetória e legado artístico

Arquiteta e urbanista de formação, Mirna Porto Maia tem uma trajetória consolidada como cenógrafa, designer, consultora de projetos culturais, produtora e poeta. Sua carreira é marcada pela criação de obras cenográficas que dialogam com a identidade alagoana e brasileira, transitando entre o popular e o contemporâneo.

Entre suas criações anteriores, destacam-se os projetos de ambientação para eventos culturais e exposições temáticas, nos quais sempre imprime um olhar autoral que une técnica e sensibilidade. Sua obra é reconhecida por transformar espaços em narrativas visuais, onde cada elemento carrega uma história e uma assinatura estética que se confirma a cada novo projeto.

Na Bienal deste ano, Mirna Porto Maia reafirma seu lugar como uma das grandes referências da cenografia artística em Alagoas, unindo arquitetura, memória e poesia em uma celebração da cultura afro-brasileira.