
PIZZARIA DO GASPAR – CPI do INSS: Gaspar tenta posar de herói, mas comissão desaba antes do ato final
Deputado alagoano virou personagem de si mesmo em investigação que ninguém mais leva a sério
A CPI do INSS, vendida pelo deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) como o grande palco de sua consagração política, virou piada de corredor em Brasília. O parlamentar, que enche suas redes sociais com vídeos e frases de efeito sobre “defesa dos aposentados”, tenta manter viva uma comissão que, na prática, já foi engolida pelo próprio sistema que ele jurava enfrentar.
Instalada há quase três meses para investigar descontos ilegais em aposentadorias e pensões, a CPI perdeu o rumo e, segundo o Estadão, passou a “pisar em ovos”. Motivo: o escândalo atinge aliados de todos os governos — Temer, Bolsonaro e Lula — e até nomes do Centrão, grupo político que Gaspar costuma cortejar com zelo. Ou seja, ninguém está limpo o suficiente para bancar o inquisidor.
Enquanto isso, o Senado instalou a CPI do Crime Organizado, tema com muito mais apelo público, que já roubou todos os holofotes. A CPI do INSS virou coadjuvante de si mesma, e o “rolo compressor” prometido por Gaspar não passou de um carrinho de mão emperrado.
Em público, o deputado insiste que tudo vai bem: “O importante é ter resultados concretos, responsabilizar culpados e recuperar recursos desviados”, disse em tom professoral, como se falasse a uma plateia imaginária. Na prática, porém, sua comissão não aprovou nada de relevante. A base do governo derrubou convocações e quebras de sigilo de figuras próximas a Lula, enquanto o próprio Centrão blindou aliados suspeitos.
Nem o pedido de convocação de Frei Chico, irmão do presidente, sobreviveu à votação. O mesmo ocorreu com o ex-ministro Carlos Lupi e com o presidente do sindicato dos aposentados, Milton Baptista Filho. O relator Gaspar viu suas “grandes investidas” virarem pó — e ainda precisou engolir as ironias de colegas que dizem que a CPI “não investiga, reza”.
As investigações da Polícia Federal também atrapalharam o discurso heroico de Gaspar, ao revelar que as irregularidades começaram em 2016 e atravessaram vários governos, inclusive o de Jair Bolsonaro, a quem o deputado já tratou com deferência. Com tantos dedos apontando para todos os lados, o relator ficou sem palco e sem público.
O Estadão foi direto ao ponto: a CPI virou uma arena de autoproteção partidária, onde ninguém quer se queimar. O que era para ser um escândalo de proporções nacionais se transformou em um teatro de egos e discursos vazios.
No fim, o grande feito de Alfredo Gaspar foi transformar uma comissão que poderia ter prestado um serviço à sociedade em mais um exemplo de como o Congresso sabe transformar investigações sérias em espetáculo eleitoral. Ele queria manchetes — e conseguiu. Só não do jeito que esperava.

