TRABALHO – Renan Filho participa de negociação sobre área de R$ 40 bilhões em Brasília

O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB-AL), participou das discussões no governo federal sobre a retomada de uma área avaliada em cerca de R$ 40 bilhões, localizada em Brasília e atualmente sob posse do Exército Brasileiro. O terreno, que abrigou a antiga rodoferroviária da capital, possui mais de 4,2 milhões de metros quadrados e é considerado uma das regiões mais valorizadas do Distrito Federal.

Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, o tema foi discutido em reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Renan Filho e a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck. Durante o encontro, Lula deu aval para que o Ministério dos Transportes adote medidas administrativas para anular a cessão do terreno e restabelecer o controle da União sobre a área.

A proposta em análise no governo prevê que o Ministério dos Transportes utilize o espaço em um modelo de concessão imobiliária — conhecido internacionalmente como real estate — que vincula a exploração do terreno à execução de projetos ferroviários. Entre as obras citadas estão o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) entre Brasília e Luziânia (GO) e outros cinco trajetos de passageiros com editais previstos para 2026.

De acordo com o jornal, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, recebeu um ofício assinado por Renan Filho solicitando a área para o avanço do projeto ferroviário. A iniciativa faz parte dos planos do governo de retomar o transporte de passageiros sobre trilhos no país, aproveitando áreas da União com potencial de valorização urbana.

O Exército sustenta que o terreno foi destinado à Força em 2006, por meio de termo firmado com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), e que a área integra seu planejamento estratégico para a instalação de um hospital militar em Brasília e da nova Escola de Sargentos em Recife (PE).

O processo de revisão da cessão está em andamento na Advocacia-Geral da União (AGU) e na Controladoria-Geral da União (CGU), que avaliam os instrumentos legais para a reintegração de posse. Até a conclusão, o governo federal proibiu qualquer intervenção física no terreno.

O Governo do Distrito Federal afirmou, em nota, que não há definição sobre o destino da área e que qualquer uso futuro dependerá de um plano de ocupação apresentado pelo gestor do imóvel. O Ministério dos Transportes não se pronunciou sobre o assunto.