
ADVOGADO OU JAGUNÇO DE TERNO? – Arnon de Melo é acusado de liderar um suposto “sequestro-relâmpago” e ameaças a empresário e familiares
"Foi ele quem teria dado aval às ameaças, sugerindo que a pressão poderia ser feita", diz a vítima
Um empresário de 33 anos denunciou ter sido vítima, segundo relato no boletim de ocorrência, de sequestro, constrangimento ilegal e ameaças de morte em Maceió, na noite da última quarta-feira (1º). O documento, registrado na Delegacia Geral, não coloca apenas o administrador Manoel Cassiano dos Santos, de 68 anos, como protagonista da violência. O nome que mais chama atenção no registro policial é o do advogado Arnon de Melo, apontado pela vítima como articulador da ação.
De acordo com o boletim de ocorrência, o empresário Rodolfo Vilela Nunes relatou ter sido cercado em um posto de combustíveis no Centro de Maceió durante uma cobrança de R$ 230 mil. Estavam presentes Manoel Cassiano, seus filhos Kleber e Tarcísio, além de Arnon de Melo. O advogado, que deveria ser a figura responsável por garantir a legalidade, é descrito na versão da vítima como o cérebro da operação: foi ele quem teria dado aval às ameaças, sugerindo que “a pressão poderia ser feita” até que a dívida fosse paga.
Ainda conforme o relato da vítima no boletim, Arnon apresentou duas opções: “um acordo tranquilo ou uma cobrança enérgica”. O termo, carregado de intimidação, foi interpretado como uma autorização explícita para a violência. A partir daí, segundo a denúncia, o cenário se agravou: Manoel ameaçou a vida do empresário e de sua família, Kleber tomou o celular e as chaves do carro, enquanto o próprio Arnon fazia seguidas ligações para policiais, em uma tentativa — sempre narrada pelo denunciante — de articular um flagrante forjado contra ele.

No registro policial, o empresário contou que foi levado à força até a sede do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (Dracco), onde encontrou um número expressivo de policiais. Segundo o boletim, Arnon atuou de forma insistente, tentando conduzir o depoimento de Rodolfo e dar legitimidade a uma possível armação que não se concretizou. O episódio, narrado pela vítima, expõe não apenas a truculência de Cassiano e seus filhos, mas a conduta de um advogado que, em vez de agir como representante da lei, teria se colocado como mentor de um teatro de intimidação, valendo-se da própria posição profissional para pressionar o denunciante.
Mesmo após recuperar o celular e as chaves, com a intervenção da Polícia Civil, Rodolfo relatou no boletim de ocorrência que continuou sendo ameaçado na saída do Dracco. Manoel e Kleber, segundo o documento, afirmaram que poderiam “encontrá-lo a qualquer momento” e “executar o que fosse necessário”. O empresário pediu que as imagens das câmeras de segurança do posto e da parte externa da unidade policial sejam anexadas ao inquérito. O caso foi registrado como constrangimento ilegal (artigo 146 do Código Penal).

