
FURTO OU “RESGATE”? – Deputado Leonam é acusado de arrombar e invadir residência para levar cães da raça Spitz Alemão
Sem mandado judicial, deputado teria usado força e abuso de poder para retirar animais saudáveis e bem cuidados da tutora
Um episódio que mistura abuso de poder, intimidação e suspeita de perseguição vem chamando atenção em Maceió. Maria Kerlyana Kivia Ferreira da Silva registrou boletim de ocorrência nesta terça-feira (19), acusando o delegado e deputado estadual Leonam Pinheiro, acompanhado de outros policiais, de invadir sua residência. Segundo a denúncia, o grupo teria arrombado o portão, forçado a entrada, danificado portas e revirado objetos, além de levar seis cães da raça Spitz Alemão — cinco pertencentes à própria vítima e um da sobrinha, de 17 anos.
Imagens mostram que os cães estavam limpos, saudáveis, protegidos com ração e que nada, aparentemente, indicava maus-tratos, ferimentos ou qualquer motivo que justificasse o suposto arrombamento e furto denunciado pela tutora dessas raças caríssimas.
Kerlyana afirma que não há nenhuma denúncia formal ou boletim de ocorrência contra ela por maus-tratos a animais, o que torna a ação do deputado ainda mais questionável. Para a vítima, a invasão não foi apenas um ato de violência física, mas também uma forma de intimidação e perseguição pessoal, praticada por alguém que ocupa cargo de autoridade e deveria zelar pelo cumprimento da lei, não intimidar cidadãos.
O episódio se insere em um contexto mais amplo de conflitos envolvendo Kivia. Ela relata que, em novembro do ano passado, comprou uma casa de Estevão Tulio Marinho, efetuando o pagamento integral acordado — parte via PIX, parte em dinheiro e parcelas combinadas. Meses depois, a vítima foi surpreendida com a tentativa de impedir sua posse do imóvel, quando Estevão envolveu terceiros para questionar a compra e obrigá-la a sair da residência. O caso foi registrado em boletim de ocorrência na Polícia Civil (BO 00028912/2025) como suspeita de estelionato, mostrando que Kivia tem sido alvo de retaliações desde então.
“É uma perseguição clara. Eles usam sua posição de poder para tentar nos amedrontar e nos desestabilizar”, disse Kivia. Ela afirma que, desde o registro do boletim, vem recebendo ameaças e enfrentando tentativas de intimidação, reforçando a sensação de que está sendo alvo de um padrão de perseguição que mistura abuso de autoridade, conflitos imobiliários e retaliações pessoais.
Além da devolução imediata dos animais, a vítima exige que o caso seja investigado com rigor pelas autoridades competentes. Especialistas em direito destacam que o uso de função pública para intimidar ou prejudicar um cidadão configura crime grave, com possibilidade de responsabilização civil e criminal do envolvido.
“O mesmo chão que o deputado Leonam filma com o cachorro é o mesmo chão onde eu brinco. É evidente que, apesar de parecer um espaço aberto, ele escolheu mostrar apenas o local onde o cachorro fazia suas necessidades fisiológicas”, destacou.
O caso levanta questões sobre a postura de autoridades eleitas e nomeadas, o limite entre atuação policial e perseguição pessoal, e a necessidade de proteção de cidadãos frente a abusos de poder. Para muitos, trata-se de um exemplo preocupante de como a autoridade pública pode ser usada de maneira arbitrária, em detrimento da lei e da segurança de famílias comuns.

