ARTICULAÇÃO POLÍTICA – JHC “beija a mão” de Lula e silencia sobre nomeação da tia

Por muito tempo, JHC construiu sua imagem como político de centro-direita, liberal na economia, e digital nas redes. Mas nos últimos nove meses, o silêncio calculado e os acenos ao governo Lula revelaram uma face menos conhecida do prefeito de Maceió: a do político com ambições.

A nomeação da procuradora Marluce Caldas para o Superior Tribunal de Justiça não foi um gesto isolado de reconhecimento técnico, foi resultado direto de um arranjo político. Tia de JHC, Marluce teve sua indicação costurada com afinco pelo sobrinho nos corredores de Brasília, com juras de alinhamento, promessas de apoio e articulações que envolvem nomes poderosos como Renan Calheiros, Renan Filho e Arthur Lira. A cereja do bolo veio com o aval de Lula, o mesmo presidente que JHC evitava citar em público.

JHC é do PL, o partido de Jair Bolsonaro. Mas o silêncio dele diante da nomeação da tia grita mais alto que qualquer post no Instagram. O prefeito, que até então não economizava discursos sobre independência, justiça e nova política, preferiu calar-se diante da evidente contradição. Afinal, como explicar à sua base de direita, crítica feroz do lulismo, que o maior feito de sua articulação política em 2025 foi um cargo de confiança concedido por Lula à sua própria tia?

Não se trata aqui de questionar os méritos da procuradora Marluce Caldas, cuja trajetória profissional é inegavelmente respeitável. A crítica recai sobre a estratégia de JHC: acenar ao Planalto em silêncio, enquanto mantém o discurso ambíguo para sua base eleitoral. Aliás, a movimentação de JHC nos bastidores de Brasília parecia apontar para um projeto nacional. Rumores de que ele seria candidato a governador ou a um cargo federal em 2026 ganhavam força nos bastidores. No entanto, com a concretização do acordo com Lula e a consequente exposição de sua vinculação direta com o governo petista, JHC recuou. Abandonou, ao menos por ora, a corrida de 2026.

No fim das contas, a nomeação de Marluce Caldas expõe uma possível verdade: JHC é mais político tradicional do que tenta parecer. Ambicioso, mas também silencioso quando o barulho da coerência ameaça seu projeto pessoal. O beijo na mão de Lula pode ter garantido a cadeira da tia no STJ, mas custará caro com um eleitorado que não perdoa alianças com quem juram combater.