FUGA FRUSTRADA – PF prende Gilson Machado e tem prisão de Mauro Cid revogada após mandado do STF

Plano com passaporte europeu para driblar investigação sobre golpe de 2023 acabou desmontado pela Justiça

A Polícia Federal desmontou nesta sexta-feira (13) uma tentativa de fuga articulada por aliados próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-ministro do Turismo, Gilson Machado, foi preso no Recife por tentar intermediar a emissão de um passaporte português para o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e réu por tentativa de golpe de Estado. O objetivo seria tirar Cid do país antes do encerramento da instrução processual no Supremo Tribunal Federal.

A Procuradoria-Geral da República apontou que Machado teria atuado junto ao consulado português para agilizar a documentação de Cid, supostamente com a justificativa de que sua esposa e filhas já possuem cidadania europeia. A PF detectou movimentações suspeitas e trocas de mensagens entre os envolvidos, evidenciando um plano coordenado de evasão.

O ministro Alexandre de Moraes, relator da Ação Penal 2.688/DF no STF, chegou a decretar a prisão preventiva de Mauro Cid, mas revogou a ordem poucas horas depois. O militar foi conduzido à sede da Polícia Federal, em Brasília, onde prestou depoimento e foi liberado.

Gilson Machado permanece detido. Além da tentativa de fuga, ele é investigado por suposta obstrução de Justiça e favorecimento pessoal, com base nos elementos reunidos pela PF. A Procuradoria também apura doações financeiras feitas por Machado que podem ter conexão com a base de apoio de Bolsonaro.

A operação faz parte do desdobramento da investigação sobre o 8 de Janeiro, que já resultou em dezenas de denúncias e réus, incluindo o próprio ex-presidente. As autoridades agora investigam a existência de outros envolvidos no plano de fuga e monitoram qualquer tentativa de desestabilizar o andamento do processo.

Com dois nomes estratégicos do bolsonarismo no centro do escândalo, o caso reacende a crise no entorno político do ex-presidente e amplia o cerco sobre os bastidores da tentativa de ruptura institucional.