BRASIL – Ministro do STF nega indulto natalino a ex-deputado condenado por tentar impedir funcionamento dos poderes do Estado

Na última sexta-feira (14), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu negar o pedido de indulto natalino ao ex-deputado federal Daniel Silveira. A defesa do ex-parlamentar havia recorrido ao STF argumentando que Silveira tinha direito ao perdão do restante de sua pena, conforme as normas do indulto concedido anualmente pelo presidente da República.

Daniel Silveira foi condenado a oito anos e nove meses de prisão pela Corte Suprema por crimes como tentativa de impedir o livre exercício dos poderes e coação no curso do processo, ao proferir ofensas e ameaças aos ministros do STF. O ministro Alexandre de Moraes fundamentou sua decisão, destacando que o ex-deputado não teria direito ao indulto por ter sido condenado por tentar impedir o funcionamento dos poderes, crime previsto na Lei de Segurança Nacional, não contemplado pelo decreto de indulto assinado pelo presidente no ano anterior.

Além de negar o indulto, Alexandre de Moraes também manteve sua decisão anterior de revogar o livramento condicional da pena de Daniel Silveira, determinando que ele cumpra regime semiaberto de prisão. Segundo o ministro, a condenação de Silveira pelo crime previsto na Lei de Segurança Nacional impede a concessão do indulto natalino, de acordo com o previsto no Decreto nº 12.338/2024.

Por sua vez, a defesa de Daniel Silveira, representada pelo advogado Paulo Faria, informou que irá recorrer ao plenário da Corte para contestar a decisão de Moraes, alegando a ilegalidade do ato. Faria também pretende acionar a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CDIH) e congressistas dos Estados Unidos, buscando reverter a decisão.

No indulto assinado pelo presidente, foram contempladas diversas categorias de detentos, como idosos, gestantes, pessoas com deficiência ou doenças graves, entre outras. No entanto, o decreto não abrange condenados por crimes como atos golpistas, crimes hediondos, tortura, terrorismo, racismo, lavagem de dinheiro, violência contra a mulher, crianças e adolescentes.

Em resumo, a decisão do ministro Alexandre de Moraes de negar o indulto a Daniel Silveira reforça a aplicação rigorosa da justiça, seguindo as diretrizes legais estabelecidas no país. A defesa do ex-deputado seguirá buscando meios legais para contestar a decisão e reverter o quadro em instâncias superiores.