BRASIL – Mortalidade de crianças e adolescentes com câncer é maior entre indígenas, aponta novo Panorama de Oncologia Pediátrica do Instituto Desiderata

A mortalidade de crianças e adolescentes com câncer é um tema preocupante, principalmente entre a população indígena do Brasil. De acordo com a mais recente edição do Panorama de Oncologia Pediátrica, divulgado pelo Instituto Desiderata, os dados levantados em parceria com o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) revelam uma taxa mais elevada de óbitos nesse grupo em comparação com crianças e adolescentes brancos, negros e amarelos.

Segundo os números apresentados, a taxa de mortalidade entre os indígenas chega a 76 óbitos a cada 1 milhão de indivíduos por ano. Em contrapartida, esse número é de 42.6/milhão para os brancos, 38.9/milhão para os negros e 38.9/milhão para os amarelos, que possuem ancestralidade oriental.

Essa disparidade na mortalidade também está relacionada à região em que essas populações estão inseridas. O Norte e o Nordeste do Brasil concentram a maior parte dos indígenas, com índices preocupantes de mortalidade e incidência de novos casos de câncer entre crianças e adolescentes. A dificuldade de acesso aos serviços de saúde, causada por questões geográficas e pela falta de estrutura hospitalar especializada, é apontada como um dos principais fatores que contribuem para essa realidade.

A coordenadora do Serviço de Oncopediatria do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, em Belém, Alayde Vieira, ressalta a importância de um atendimento diferenciado para a população indígena, considerando as particularidades genéticas que influenciam no metabolismo dos medicamentos utilizados no tratamento do câncer em crianças. Esse cenário exige protocolos específicos e um acompanhamento mais rigoroso por parte dos profissionais de saúde.

É fundamental que medidas sejam adotadas para reduzir a mortalidade de crianças e adolescentes indígenas com câncer, garantindo o acesso a tratamentos adequados e respeitando as especificidades culturais desse grupo populacional. O Panorama de Oncologia Pediátrica, disponível para consulta online, traz informações relevantes que podem subsidiar a elaboração de políticas públicas eficazes e aprimorar o cuidado com essa parcela da população brasileira.