
BRASIL – “Sachês de nicotina: uma armadilha perigosa para quem quer parar de fumar, alertam especialistas em câncer e tabagismo”
Diferentemente do cigarro, os pouches não são fumados, mas sim colocados entre a gengiva e os lábios, liberando a nicotina diretamente na boca. Apesar de parecer menos nocivo, a concentração de nicotina nos sachês pode ser até 25 vezes superior à encontrada em um cigarro.
A consultora na área de tabagismo da Fundação do Câncer, Milena Maciel, ressalta que a absorção da nicotina é mais rápida quando aplicada na mucosa oral, o que pode levar a um aumento do vício. Além disso, a nicotina é um estimulante cerebral que pode causar dependência e provocar efeitos colaterais prejudiciais à saúde.
Um dos principais riscos do uso dos pouches de nicotina é o favorecimento da proliferação de células cancerígenas, mesmo sem a presença da fumaça do tabaco. Além disso, os sachês contêm outros componentes como níquel, cromo, amônio e formaldeído, substâncias altamente cancerígenas.
O uso da nicotina também pode elevar a pressão arterial, aumentar a frequência cardíaca e causar problemas bucais como ressecamento da mucosa, gengivite e cáries. Por esses motivos, a Fundação do Câncer alerta que os pouches de nicotina não devem ser considerados como uma opção para quem deseja parar de fumar.
Apesar de alguns produtos à base de nicotina serem utilizados como auxiliares no tratamento contra o tabagismo, os sachês não passam por regulamentação no Brasil e podem ser adquiridos facilmente pela internet. A consultora Milena Maciel defende que a Anvisa inicie um processo regulatório para proibir a fabricação, importação, comercialização e propaganda dos pouches, a fim de proteger a saúde da população.
O uso indiscriminado dos pouches de nicotina, sobretudo por crianças e adolescentes, representa um sério risco à saúde pública. Portanto, é fundamental que medidas sejam tomadas para controlar a disseminação desses produtos e conscientizar a população sobre os perigos associados ao seu consumo.


