BRASIL – Filha de desaparecido político elogia indicações ao Oscar de filme brasileiro e critica Bolsonaro em entrevista exclusiva.

A docente e psicóloga Vera Paiva, de 71 anos, emocionada com as três indicações ao Oscar do filme “Ainda Estou Aqui”, compartilhou suas impressões em uma entrevista exclusiva à Agência Brasil. Filha de Rubens e Eunice Paiva, Vera ressaltou que essas indicações tiveram um significado especial para ela e sua família, representando um momento de reparação por tudo o que viveram, assim como muitas famílias brasileiras.

Professora na Universidade de São Paulo (USP), Vera Paiva destacou que o reconhecimento do filme foi também uma forma de homenagear as famílias dos desaparecidos políticos no Brasil, como uma forma de tributo e memória a todos aqueles que foram perseguidos, torturados e assassinados durante a ditadura.

Além disso, Vera Paiva fez questão de ressaltar a importância do reconhecimento da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood como uma homenagem às mulheres que enfrentam a perda de familiares em cenários de opressão. Ela mencionou a figura de “milhares de Eunices” no país, mulheres que sofrem com a perda de entes queridos devido à violência e à injustiça.

Em um tom crítico, Vera Paiva não poupou palavras ao se referir ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem chamou de “medíocre” e lembrou do episódio em que ele cuspiu no busto de Rubens Paiva durante a inauguração do monumento no Congresso.

A docente também elogiou a qualidade e o cuidado do filme de Walter Salles, destacando a sensibilidade transmitida na produção e o talento das atrizes Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, além de toda a equipe envolvida no projeto.

Com três indicações ao Oscar, o filme brasileiro “Ainda Estou Aqui” fez história ao concorrer nas categorias de melhor filme, filme internacional e melhor atriz, pela atuação de Fernanda Torres no papel de Eunice Paiva. Esta é a primeira vez que um filme brasileiro é indicado em três categorias e concorre à categoria principal de melhor filme.

Essas indicações ao Oscar ocorrem em um momento simbólico, três dias após completarem 54 anos da prisão e subsequente assassinato de Rubens Paiva por agentes da ditadura militar. O caso, que até hoje não teve seus responsáveis devidamente punidos, é um símbolo da luta por justiça e memória no Brasil.

No Supremo Tribunal Federal, o processo contra cinco militares reformados acusados pelo assassinato de Rubens Paiva segue tramitando, mantendo viva a esperança de que a verdade venha à tona e a justiça seja feita para as vítimas e suas famílias.