BRASIL – Polícia Federal prende general Walter Braga Netto por tentativa de obstrução de Justiça em caso de delação premiada

Na manhã deste sábado (14), o Supremo Tribunal Federal (STF) decretou a prisão do general Walter Braga Netto. A decisão foi fundamentada na tentativa do general de obter detalhes da delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, para a Polícia Federal em setembro do ano passado, caracterizando uma possível obstrução de Justiça.

Segundo informações prestadas pela Polícia Federal, houve contatos de Braga Netto com o pai de Mauro Cid, o general Mauro César Lourena Cid, com o objetivo de obter informações sigilosas, controlar o que seria repassado para a investigação e manter informados os demais envolvidos na organização criminosa. A decretação da prisão foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além disso, a Polícia Federal encontrou documentos na mesa do coronel Flávio Botelho Peregrino, assessor de Braga Netto, que orientavam perguntas e respostas sobre a delação de Mauro Cid. Em relatos à PF, Cid informou sobre tentativas do general e de outros intermediários de obter informações sobre o conteúdo de sua colaboração.

Na mesma audiência, Mauro Cid revelou que o general Braga Netto repassou dinheiro diretamente ao então Major Rafael de Oliveira em uma sacola de vinho, com o objetivo de financiar as despesas necessárias para a realização de operações das forças especiais. A Polícia Federal confirmou a compra de celular e carregamentos de chip, com pagamentos em espécie em um estabelecimento de Brasília.

Até o momento, a defesa de Braga Netto não se manifestou sobre a prisão. A Agência Brasil está em contato com os representantes legais do general para obter mais informações sobre o caso. A decisão do STF ressalta a gravidade das acusações e a importância de garantir que a justiça seja feita no país.