BRASIL – MPRJ denuncia policiais militares por ocupação ilegal de terrenos no Recreio dos Bandeirantes com escrituras falsas avaliadas em R$60 milhões.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) anunciou uma denúncia à Justiça contra quatro policiais militares envolvidos em crimes relacionados à ocupação ilegal de lotes na Avenida das Américas, localizada no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste da cidade. As acusações recaem sobre o PM Francisco de Assis Ferreira Pereira, que foi denunciado por estelionato, falsificação de documentos, fraude processual e falsidade ideológica. Um dos terrenos, avaliado em impressionantes R$ 60 milhões, foi desmembrado e vendido em diversos lotes.

Por meio do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaeco), foi determinada a indisponibilidade de bens, o bloqueio de valores em contas bancárias e o sequestro de imóveis e veículos pertencentes a Francisco. Além disso, os policiais militares Edson Raimundo dos Santos, Rafael Ferreira Nunes Carvalho e Wellington da Silva Meirelles Keresbaum também foram denunciados por estelionato, uso de documento público falso e denunciação caluniosa.

De acordo com a denúncia apresentada, Francisco de Assis Ferreira Pereira teria vendido lotes do terreno para empresas fictícias, utilizando uma escritura fraudulenta e tomando posse do local à força, por meio de ameaças ao vigia. O propósito por trás desse esquema era ocupar ilegalmente a área e, posteriormente, lucrar com a especulação imobiliária. As investigações apontam que Francisco obteve ilegalmente um montante de pelo menos R$ 12,5 milhões, podendo chegar a até R$ 60 milhões, em vantagens patrimoniais.

A promotoria destaca que os policiais militares Rafael Ferreira Nunes Carvalho, Edson Raimundo dos Santos e Wellington da Silva Meirelles Keresbaum estiveram presentes nas invasões ocorridas nos dias 2 e 9 de agosto de 2022, prestando apoio a Francisco na execução dos crimes. Vale ressaltar que o major Edson dos Santos, um dos envolvidos, já havia sido condenado em 2016 a 13 anos de prisão pelo desaparecimento e morte do pedreiro Amarildo, na comunidade da Rocinha, caso em que o corpo nunca foi encontrado. Desde 2019, ele se encontra em liberdade condicional, e o caso está sob investigação da Corregedoria da Polícia Militar.