BRASIL – Deslocamento forçado por mudanças climáticas atinge número recorde, revela relatório da ONU durante COP29 em Baku

No cenário global atual, dados alarmantes revelam que 90 milhões de pessoas deslocadas à força estão vivendo em países altamente suscetíveis a riscos relacionados ao clima. Essa estatística representa a realidade de aproximadamente 123 milhões de deslocados, dos quais um aumento de 5 milhões foi registrado entre 2023 e 2024.

O relatório intitulado “Sem escapatória: na linha de frente das mudanças climáticas, conflitos e deslocamento forçado”, divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) durante a 29ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP29) em Baku, no Azerbaijão, expõe a grave situação atual. O estudo, resultante do trabalho de diversas entidades como Alp Analytica, Grupo Consultivo para Pesquisa Agrícola Internacional e Conselho Alemão de Relações Exteriores, alerta para a crise enfrentada por milhares de pessoas deslocadas.

A Acnur ressalta a preocupante realidade de que quase metade das pessoas deslocadas enfrenta não apenas os impactos decorrentes das mudanças climáticas, mas também a violência originada por conflitos em países como Sudão, Síria, Haiti, República Democrática do Congo, entre outros. A combinação desses fatores torna a situação dessas pessoas ainda mais delicada e desafiadora.

Os especialistas enfatizam que nos últimos anos ocorreram mais de 220 milhões de deslocamentos internos associados a desastres climáticos. Este número alarmante equivale a cerca de 60 mil deslocamentos por dia, sendo mais de um quarto deles ocorridos em contextos de conflito. As previsões futuras não indicam melhora, pois estima-se que até 2040 o número de países enfrentando perigos climáticos extremos subirá para 65, sendo a maioria desses países onde estão localizadas as populações deslocadas.

É importante ressaltar que essas populações deslocadas estão em países altamente vulneráveis ao clima e menos preparados para lidar com as consequências. A falta de financiamento adequado para adaptação em países extremamente frágeis é destacada, sendo recebido um montante de apenas US$ 2,10 por pessoa anualmente para essa finalidade. A necessidade de medidas concretas relacionadas aos deslocamentos provocados por mudanças climáticas e desastres também é evidenciada no relatório, mostrando que ainda há muito a ser feito para garantir a segurança e o bem-estar dessas populações vulneráveis.