
BRASIL – Estudo revela que 87,8% das vítimas de mortes por policiais no Brasil em 2023 eram negras, aponta pesquisa da Rede de Observatórios da Segurança.
Os números levantados nos nove estados analisados pela pesquisa revelam um padrão de disparidade racial preocupante. Em estados como Bahia, Ceará, e Pernambuco, a taxa de mortes de pessoas negras pela polícia ultrapassa os 90%. A cientista social e coordenadora da Rede, Silvia Ramos, destacou a gravidade desses dados, ressaltando que o racismo estrutural do país se reflete de forma contundente na segurança pública.
Segundo a pesquisadora, o perfil do suspeito policial é reforçado nas corporações, criando um viés discriminatório que torna os jovens negros das favelas e periferias alvos em potencial para a violência policial. O estudo aponta ainda que a Bahia é o estado com o maior número de mortes provocadas pela polícia, com 1.702 casos registrados no ano de 2023.
Além disso, a pesquisa evidenciou que a juventude é a mais atingida pela violência policial, principalmente na faixa etária entre 18 e 29 anos. Houve também um aumento significativo no número de mortes de crianças e adolescentes, com 243 vítimas entre 12 e 17 anos nos estados analisados.
Apesar de alguns estados terem apresentado redução na letalidade policial, como Amazonas, Maranhão, e Rio de Janeiro, a maioria registrou um aumento alarmante no número de mortes. A falta de transparência e de dados completos sobre as vítimas também foi destacada no estudo, com estados como Maranhão, Ceará, e Pará tendo mais da metade das vítimas sem informações sobre raça e cor.
Diante desses dados preocupantes, é fundamental que os governos estaduais adotem medidas efetivas para combater a violência policial e promover a segurança de todos os cidadãos, independentemente de sua origem étnica. A sociedade civil e as instituições de controle devem permanecer vigilantes e cobrar ações concretas para garantir a proteção e os direitos fundamentais de todos os brasileiros.


