BRASIL – Direito ao voto é exceção entre presos aptos a votar, revela levantamento da Agência Brasil com base em dados do TSE

Um levantamento realizado pela Agência Brasil revelou que, apesar de regulamentado desde 2010, o direito ao voto ainda é uma exceção entre os presos que poderiam exercê-lo. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), em 30 de junho existiam 183.806 presos provisórios no Brasil. No entanto, apenas 6.322 presos estão aptos para votar no segundo turno das eleições municipais deste domingo (27).

A distribuição desigual desse direito é uma realidade, com alguns estados não tendo nenhum preso provisório apto para votar, como no caso do Acre, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Tocantins e Distrito Federal. Por outro lado, estados como Maranhão, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e São Paulo possuem quantidades significativas de presos provisórios eleitores cadastrados, com mais de 500 em cada um.

O acesso à propaganda eleitoral e à lista de candidatos para os presos que puderam participar da eleição foi organizado pelo juiz eleitoral e pela direção da unidade prisional. Atualmente, o voto dessas pessoas é regulado pela Resolução 23.736/2024, que permite a instalação de seções de votação com no mínimo 20 pessoas aptas a votar.

A participação dos presos nas eleições tem sido um tema debatido e estudado por diversos órgãos. Segundo Leandro Lanzellotti, presidente da Comissão de Política Criminal e Penitenciária da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional São Paulo, é importante garantir esse direito como forma de exercício da cidadania, apesar das dificuldades logísticas encontradas devido à transitoriedade da população prisional nessas condições.

São Paulo, como o estado com a maior população carcerária do país, teve menos de 3 mil eleitores em situação de prisão provisória no primeiro turno das eleições municipais deste ano. No segundo turno, o número caiu para 1.845 eleitores. A baixa adesão é atribuída às campanhas de esclarecimento e à necessidade do preso transferir o título e votar na cidade onde está cumprindo pena.

A Fundação Casa, responsável pelos menores que cumprem medidas socioeducativas com privação de liberdade, atenderá 456 jovens no segundo turno das eleições. A presidente da Fundação Casa, Claudia Carletto, destacou a importância do ato de votar para a reintegração social desses jovens, mostrando que suas opiniões e escolhas importam.