BRASIL – 16ª cúpula do Brics defende reforma global em prol de países menos desenvolvidos e nova ordem mundial multipolar

A 16ª cúpula do Brics divulgou oficialmente sua declaração nesta quarta-feira (23), ressaltando a importância da reforma dos organismos internacionais, com destaque para o Conselho de Segurança das Nações Unidas e o Fundo Monetário Internacional, visando ampliar a representatividade dos países menos desenvolvidos. O documento, denominado Declaração de Kazan em homenagem à cidade russa onde ocorreu a cúpula, aborda diversas questões cruciais da agenda internacional, como mudanças climáticas, gestão da inteligência artificial e conflitos armados em curso no mundo.

Uma das principais ênfases da declaração conjunta é a promoção de uma nova ordem mundial multipolar, baseada em múltiplos centros de poder. Os países que compõem o Brics reiteraram a necessidade de reformas na governança global para adequar-se à nova realidade econômica e geopolítica, com a expansão da representatividade dos países em desenvolvimento e emergentes nas instituições de Bretton Woods.

Durante a reunião da cúpula, o presidente chinês Xi Jinping enfatizou a importância de ampliar a cooperação entre os países do Sul Global e de reformar as instituições internacionais para refletir as mudanças no equilíbrio do poder internacional. A Declaração de Kazan também destaca a intenção de expandir o Brics para incluir novos membros associados.

No que diz respeito aos conflitos mundiais, o documento expressa preocupação com a situação na Faixa de Gaza, pedindo um cessar-fogo imediato e a libertação de reféns, além de condenar ataques contra civis e infraestruturas civis. O Brics reafirmou seu apoio à admissão do Estado da Palestina como membro pleno da ONU e condenou os ataques no Líbano atribuídos a Israel.

Por fim, a declaração criticou as sanções econômicas aplicadas unilateralmente por potências ocidentais, ressaltando a necessidade de diálogo e diplomacia para resolver conflitos internacionais. O documento destaca a importância de promover mecanismos de financiamento e comércio em moedas locais como forma de reduzir a dependência do dólar e promover a cooperação internacional verdadeira e solidária.