Beneficiários do Bolsa Família gastam R$ 3 bilhões em apostas online via Pix, alerta análise do Banco Central.

No último mês de agosto, os beneficiários do programa Bolsa Família que realizam apostas esportivas online movimentaram um total de R$ 3 bilhões em bets via Pix, de acordo com uma análise técnica realizada pelo Banco Central. Esse montante representa cerca de 20% do valor total repassado pelo programa no mesmo período.

Entre os 20 milhões de beneficiários do Bolsa Família, aproximadamente 5 milhões realizaram apostas no mês passado. Em média, cada pessoa gastou em torno de R$ 100 em suas apostas. A maioria dos apostadores (70%) são chefes de família, responsáveis por receber e gerenciar o dinheiro transferido pelo governo, com um volume total de R$ 2 bilhões transferidos via Pix para as empresas de apostas.

No cenário geral, o Banco Central identificou um total de R$ 21,1 bilhões em apostas realizadas durante o mês de agosto através do sistema Pix, considerando todos os apostadores e empresas de apostas que puderam ser identificados pela instituição.

É importante ressaltar que esses números contemplam apenas as transações realizadas via Pix e não incluem outras formas de pagamento, como cartões de débito ou crédito, o que indica que o valor total movimentado pode ser ainda maior.

Os dados levantados pelo BC também não consideram os possíveis prêmios recebidos pelos apostadores, entretanto, especialistas alertam para o risco de perdas frequentes que podem comprometer o orçamento familiar, principalmente das famílias de baixa renda.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, destacou a preocupação com o aumento da inadimplência, que pode estar relacionada à popularidade das apostas esportivas. O Senador Omar Aziz solicitou a análise do BC e acionou a PGR para tentar regulamentar as empresas de apostas esportivas, visando proteger as famílias mais vulneráveis que são as mais afetadas por essa atividade.

Diante desses resultados, o Banco Central reforça a importância de garantir a proteção financeira das famílias de baixa renda, que muitas vezes são atraídas pelo apelo comercial da possibilidade de enriquecimento rápido por meio das apostas esportivas.