BRASIL – Deputado Glauber Braga é liberado após detenção por defender estudantes da Uerj em ação de desocupação policial na zona norte do Rio.

Na tarde de sexta-feira (20), o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) foi detido após intervir em uma ação de desocupação na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em defesa dos estudantes. O parlamentar foi liberado no mesmo dia, juntamente com três estudantes da Uerj que também haviam sido detidos. O Pavilhão João Lyra Filho, onde ocorreu a ação, foi liberado com a entrada da tropa de choque da Polícia Militar, seguindo determinação judicial. A reitoria da universidade informou que o prédio será avaliado na próxima segunda-feira para verificar danos e necessidade de reparos.

O deputado estadual Flavio Serafini, presidente do PSOL/RJ, criticou a postura da universidade diante da situação, afirmando que a repressão não deveria ser a resposta aos estudantes que lutam por seus direitos. Solidarizando-se com Glauber, jornalistas e estudantes, Serafini repudiou qualquer forma de violência que impeça o diálogo e o avanço da educação pública.

Durante a desocupação do prédio, um policial ficou ferido ao manusear um artefato explosivo da própria corporação, sendo levado ao hospital e declarado fora de perigo. O coronel André Matias, do Comando de Operações Especiais (COE), explicou que Glauber Braga foi detido por obstruir o cumprimento do mandado judicial, e que a Uerj estava oficialmente desocupada. Três estudantes também foram detidos: um de enfermagem, um de oceanografia e um de jornalismo.

A ocupação do Pavilhão João Lyra Filho teve início no dia 26 de julho como forma de protesto contra mudanças nas regras para a concessão de bolsas e auxílios de assistência estudantil. Os alunos pedem a revogação de determinadas medidas, como a limitação do auxílio-alimentação a cursos sem restaurante universitário e a comprovação de renda familiar para receber auxílios.

A reitoria da Uerj informou que o campus Maracanã permanecerá fechado para apuração dos danos, sem previsão para o retorno das aulas. A Polícia Civil está investigando o descumprimento da decisão judicial, e os conduzidos foram ouvidos como testemunhas e posteriormente liberados. Diligências estão em andamento para esclarecer os fatos.