BRASIL – Confronto entre policiais e indígenas guarani-kaiowá deixa três feridos em área rural de Antônio João (MS)

Na tarde da última quinta-feira, um confronto entre policiais militares e indígenas guarani e kaiowá chocou a cidade de Antônio João, localizada a cerca de 300 quilômetros de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. O incidente resultou em ao menos três indígenas feridos, sendo dois homens e uma mulher, que foram prontamente atendidos no Hospital Municipal Dr. José Altair de Oliveira.

Segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a briga teve início após um grupo de indígenas ocupar parte de uma fazenda que se sobrepõe a uma área reivindicada pelos guarani-kaiowá como território tradicional. A região, conhecida como Ñande Ru Marangatu, foi reconhecida como terra indígena em 2005, embora a situação permaneça delicada devido à ocupação de parte da área por não-indígenas.

Fazendeiros que alegam possuir direitos sobre a mesma área disputam judicialmente com os indígenas, que buscavam a reintegração do território tradicional. A situação se agravou com a retomada da Fazenda Barra, última propriedade ocupada que ainda não havia sido totalmente reintegrada aos indígenas. Durante a ação de retomada, ocorreu o confronto com os policiais militares, resultando em vítimas indígenas sendo baleadas.

O Conselho Indigenista Missionário denunciou o ataque sofrido pela comunidade indígena e registrou em vídeos as cenas de violência. O policiamento na região foi reforçado, inclusive com a presença do Batalhão de Choque, a fim de evitar novos conflitos. O embate entre as partes coincide com a visita de representantes de entidades sociais e órgãos públicos federais a regiões do Mato Grosso do Sul que têm sido palco de confrontos entre produtores rurais e indígenas.

O grupo de visitantes denunciou a ação da Polícia Militar e criticou a decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) de autorizar a atuação policial em proteção à propriedade privada. A comunidade indígena resistiu na sede da fazenda e recebeu apoio de diversas organizações sociais e entidades de direitos humanos. A situação na região permanece tensa, com a presença de equipes policiais buscando evitar novos conflitos.