
BRASIL – Ex-policial Ronnie Lessa descreve réus acusados pela morte de Marielle Franco como “pessoas de alta periculosidade” em depoimento.
Atualmente preso na penitenciária do Tremembé, em São Paulo, Lessa foi arrolado pela acusação feita pela Procuradoria-Geral da República. O depoimento do ex-policial foi feito por videoconferência ao juiz auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que visa decidir se os irmãos Brazão e outros acusados serão condenados por serem mandantes do crime.
Além dos irmãos Brazão, também são réus no processo o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Domingos Brazão, o deputado federal Chiquinho Brazão, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa e o major da Polícia Militar Ronald Paulo de Alves Pereira. Todos respondem pelos crimes de homicídio e organização criminosa e estão detidos.
Durante o depoimento, a defesa de Lessa solicitou que o depoimento não fosse acompanhado pelos irmãos Brazão, alegando a necessidade de manter o sigilo das informações por ele prestadas. Lessa afirmou que os irmãos Brazão o informaram que Marielle representava uma ameaça aos negócios de loteamento ilegal na Zona Oeste do Rio de Janeiro, o que teria motivado o pedido para executá-la.
O ex-policial também relatou que Domingos e Chiquinho Brazão possuíam influência na Polícia Civil do Rio, afirmando terem o controle sobre as ações policiais. Além disso, demonstraram respeito a Rivaldo Barbosa, outro réu no processo acusado de planejar o assassinato e dificultar as investigações.
A ação penal conta com cerca de 70 testemunhas, sendo que os depoimentos dos réus estão previstos para ocorrer apenas no final do processo. O caso continua sendo acompanhado de perto pela sociedade e pela imprensa, devido à gravidade do crime e às revelações feitas durante as investigações.









